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	<title>HAITI.ORG.BR &#187; exército</title>
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	<description>Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade</description>
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		<title>Morro da Providência e a ética do capitão Nascimento</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 00:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Wellington Gonzaga de Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio, de 24. São esses os nomes dos três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes de uma favela vizinha após terem sido entregues de bandeja por militares do Exército. Os fatos, investigados pela Polícia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Wellington Gonzaga de Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio, de 24. São esses os nomes dos três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes de uma favela vizinha após terem sido entregues de bandeja por militares do Exército. Os fatos, investigados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, acabaram por se tornar a quinta parte da série “&lt;a href=&#8221;<a href="http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/19/haiti-e-rio-de-janeiro-campos-militares-brasileiros/">http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/19/haiti-e-rio-de-janeiro-campos-militares-brasileiros/</a>&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;&gt;Haiti e Rio de Janeiro, campos militares brasileiros&lt;/a&gt;”. Sobretudo porque “desvios de conduta” como esses racham as diretrizes gerais da segurança pública e dos direitos humanos.</p>
<p>O que os militares fizeram com os três jovens afirma a ética do Capitão Nascimento, protagonista polêmico do filme Tropa de Elite. Dividir o mundo em dois: bandidos e corruptos de um lado e agentes eficientes e eleitos da ordem para o outro. Em nome dela, os fins justificam os meios. Como discuti em “&lt;a href=&#8221;<a href="http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/23/a-fina-navalha-da-forca-militar/">http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/23/a-fina-navalha-da-forca-militar/</a>&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;&gt;A fina navalha da força militar&lt;/a&gt;”. A tese do capitão do Bope admite tortura com saco-plástico ou a entrega de “suspeitos” a uma facção rival no Morro da Mineira. O desfecho da oferta aos traficantes nesse caso era certo. Iriam matá-los. Com isso, os militares teriam incentivado a execução dos jovens.<br />
&lt;p&gt;<br />
&lt;p&gt;<br />
&lt;p&gt;Os detalhes da investigação da polícia civil apontam que pelo menos três militares confessaram a entrega dos jovens a traficantes da facção . &lt;span style=&#8221;color:#000000;&#8221;&gt;No Instituto Médico-Legal (IML) de Caxias, constatou-se que o adolescente de 17 anos foi executado com dois tiros e os outros dois jovens, com cerca de 20 cada. A maioria dos tiros foi feita no rosto. &lt;/span&gt;Após o enterro dos jovens nesta segunda-feira (16), moradores protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste. Há quem diga ainda que moradores criticavam o Exército a mando dos traficantes, mas com esse fato fica difícil acreditar nessa versão.&lt;/p&gt;<br />
&lt;p style=&#8221;text-align:center;&#8221;&gt;&lt;img src=&#8221;<a href="http://www.estadao.com.br/fotos/confronto_ae_tl.jpg">http://www.estadao.com.br/fotos/confronto_ae_tl.jpg</a>&#8221; alt=&#8221;Agência Estado&#8221; width=&#8221;482&#8243; height=&#8221;321&#8243; /&gt;&lt;/p&gt;<br />
&lt;p&gt;O trabalho do Exército na região é uma ação subsidiária (prevista constitucionalmente) por um acordo com o Ministério das Cidades para o programa Cimento Social, que prevê a execução de obras em residências no valor de R$ 12 milhões. O grupo que atua no Morro da Providência advém, em sua maioria, da &lt;strong&gt;&lt;span style=&#8221;font-weight:normal;&#8221;&gt;9ª Brigada de Infantaria Motorizada, grupamento que cedeu no ano passado um contingente que atuou na força de paz do Haiti. Inclusive um de seus comandantes, o general &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Williams José Soares&lt;strong&gt;&lt;span style=&#8221;font-weight:normal;&#8221;&gt;. Havia semelhanças com a ação da Minustah até na realização de ações cívico sociais (acisos).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</p>
<p>No Morro da Providência, os militares do Exército estavam desde dezembro. A chegada do grupo aconteceu também em meio a um outro impasse. Diante da dominação do morro por traficantes do Comando Vermelho, moradores rejeitavam a presença dos militares por temerem confrontos maiores. Souberam da participação do Exército no programa Cimento Social somente no dia em que as tropas desembarcaram na comunidade. O projeto é de autoria de um ex-oficial do Exército, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que, segundo reportagem de &lt;a href=&#8221;<a href="http://oglobo.globo.com/">http://oglobo.globo.com/</a>&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;&gt;O Globo&lt;/a&gt;, também fez segredo da ação militar.<br />
&lt;p style=&#8221;text-align:center;&#8221;&gt;&lt;img src=&#8221;<a href="http://extra.globo.com/fotos/2007/12/13/13_MHG_EXTRA_EXERCITO.jpg">http://extra.globo.com/fotos/2007/12/13/13_MHG_EXTRA_EXERCITO.jpg</a>&#8221; alt=&#8221;" width=&#8221;483&#8243; height=&#8221;308&#8243; /&gt;&lt;/p&gt;</p>
<p>&lt;p&gt;<br />
&lt;p&gt;Em 2006, a mesma comunidade havia passado por uma ocupação do Exército para a tentativa de recuperação de dez fuzis roubados de um quartel. À época, a ação também foi criticada por moradores e aplaudida pela classe média da capital. Um cabo fuzileiro naval desertor, Evanilson Marques da Silva, o Dão, foi investigado por ligação com o tráfico de drogas no morro. A ação gerou diversos tiroteios entre traficantes e militares. As armas foram recuperadas ao final e o Exército deixou a favela.&lt;/p&gt;<br />
&lt;p&gt;Há excessos e desvios de conduta em toda e qualquer categoria profissional, como médicos, advogados, jornalistas e militares. Mas não quero escrever sobre porcentagens ou probabilidades. O fato é que os reconhecidos “desvios de conduta” mostram que muitas vezes há um despreparo semelhante entre integrantes das Forças Armadas e os policiais militares que atuam no Rio de Janeiro. A ética do enfrentamento do crime transcende organizações. A discussão sobre o uso das Forças Armadas em conflitos urbanos também precisa ser feita nesses parâmetros.&lt;/p&gt;</p>
<p>&lt;p&gt;<br />
&lt;p&gt;O ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou os fatos como um “caso isolado de personagens absolutamente irresponsáveis”. Na semana passada, ele reiterou que o projeto para a criação de uma legislação específica para a atuação direta das Forças Armadas em situações de conflitos urbanos deve ser encaminhado ao Congresso Nacional até o final deste ano. “A última grande ação neste sentido ocorreu em 1994, no Rio. Mas o que restou dessa operação? Temos tenentes, sargentos e cabos respondendo a processos na Justiça, sob alegação de atos criminais. E o pior, eles têm de pagar pelo trabalho de advogados de defesa. Ou se muda isso ou não tem conversa.”&lt;/p&gt;</p>
<p>&lt;p&gt;<br />
&lt;p&gt;A questão é se o país conseguirá amadurecer um sistema de vigilância humanitária até lá para conter “desvios de conduta”. Porque nem de perto teremos a estrutura fiscalizadora que as Nações Unidas mantêm no Haiti, ainda que não sejam onipresentes e infalíveis. Ou correrão o risco de se tornar mais uma força armada no jogo conflituoso do tráfico, do poder e da violação dos direitos. Tal como os militares tentam combater tanto em Porto Príncipe. Agora, é saber como serão julgados os envolvidos, réus confessos. Se na Justiça comum ou na Justiça Militar.&lt;/p&gt;</p>
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		<title>Capacetes-azuis treinaram na favela do Bope</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 12:08:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante dos olhos e narizes dos cariocas, há uma constatação. A única favela do Rio de Janeiro que está sob o comando pleno e duradouro da polícia chama-se Tavares Bastos, no bairro de Laranjeiras. Ali não estão as facções criminosas dos narcotraficantes, nem as milícias com sua segurança paraestatal. No alto do morro rochoso, onde se vê o céu azul, o vôo planador dos urubus e a orla carioca, está aquartelada a tropa de elite da polícia militar do estado &#8211; o Batalhão de Operações Especiais (Bope) &#8211; que cedeu espaço para o treinamento dos militares que seguem para o Haiti.<br />
&lt;div style=&#8221;text-align:center;&#8221;&gt;&lt;img src=&#8221;<a href="http://farm4.static.flickr.com/3185/2376612955_1d31af8204.jpg">http://farm4.static.flickr.com/3185/2376612955_1d31af8204.jpg</a>&#8221; height=&#8221;260&#8243; width=&#8221;463&#8243; /&gt;&lt;/div&gt;<br />
Em 29 de outubro de 2007, aconteceu ali mais uma das dezenas de treinamentos realizados pelos soldados do Exército que formariam o novo contingente da força de paz das Nações Unidas no Haiti (Minustah). A &#8220;favela do Bope&#8221;, junto com a área militar de Paracambi, no interior do Rio, foram as regiões mais usadas para a preparação final dos capacetes-azuis que seguiriam para Porto Príncipe. Eram as etapas por onde passaram a maior mobilização de tropas urbanas desde a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>Desde a entrada do quartel-general do Bope, uma subida acentuada com calçamento de blocos de cimento, caminhões e viaturas militares se enfileiravam no treinamento. No último andar do quartel, um grupo simulava o comando brasileiro em Porto Príncipe. A todo momento eram executados exercícios de progressão no terreno e busca e apreensão. Um mapa indicava o líder da guangue procurada. Seu nome é &#8220;Amaral&#8221;. A preparação final precisa ser intensificada semanas antes do embarque do contigente para os ensinamentos ficarem frescos na memória dos soldados.</p>
<p>&#8220;É claro que todo soldado já tem uma bagagem de preparação. O que fazemos aqui é moldá-lo para uma força de paz. Repassar conceitos de uma missão de paz, exercitar situações específicas para que ele não tenha dúvidas na hora de agir. Treinamos reforço técnico de rito, armamentos, operação e manutenção de equipamentos blindados, e emprego das frações militares, mobilização importante de operações militares em terreno urbano. Além disso, trabalhamos valores. Ser forte, destemido, mas demonstrar que não tem arrogância. O mote é a proteção da vida&#8221;, relatou à época o coronel Paul Cruz, que se preparava para assumir o atual oitavo contingente no Haiti.<br />
&lt;div style=&#8221;text-align:center;&#8221;&gt;&lt;img src=&#8221;<a href="http://farm3.static.flickr.com/2281/2074714269_5d16d547ac.jpg?v=0">http://farm3.static.flickr.com/2281/2074714269_5d16d547ac.jpg?v=0</a>&#8221; height=&#8221;237&#8243; width=&#8221;422&#8243; /&gt;&lt;/div&gt;<br />
Na favela Tavares Bastos, os soldados usavam coletes e capacetes com 12 sensores infra-vermelhos cada um para avaliar o número de mortos e feridos na simulação. O equipamento é conhecido como Dispositivos de Simulação de Engajamento Tático (DSET) . Eles buscam elevar o grau de precisão do treinamento com a simulação dos efeitos reais das armas e equipamento. Os líderes das guangues eram soldados disfarçados. A Cruz Vermelha era composta por estudantes de relações internacionais. Todos falando um inglês ou um francês arrastado. O português era proibido na simulação entre os personagens.<br />
&lt;div style=&#8221;text-align:center;&#8221;&gt;&lt;img src=&#8221;<a href="http://farm3.static.flickr.com/2177/2376612965_515b42b34a.jpg">http://farm3.static.flickr.com/2177/2376612965_515b42b34a.jpg</a>&#8221; height=&#8221;255&#8243; width=&#8221;454&#8243; /&gt;&lt;/div&gt;<br />
Em sua primeira visita ao Haiti, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, destacou que a presença do Brasil na força de paz da ONU precisa ser avaliada também em relação aos interesses do Brasil. &#8220;Primeiro que o Brasil não pode ficar alheio às questões que envolvem a América Latina. A condição do Brasil é de liderança e protagonismo regional, portanto é preciso estar presente. Por esse lado, a questão das relações exteriores. O segundo ponto é exatamente a possibilidade de formar doutrinas que dizem respeito a universos urbanos com ações práticas. A possibilidade de você ter formulação de quadro, de oficiais principalmente para cuidar de guerras assimétricas&#8221;, explica.</p>
<p>O Haiti é uma atuação real para os brasileiros, mas junto a isso um laboratório de estratégia militar.</p>
<p>&lt;i&gt;As fotos deste post foram tiradas por mim no final do ano passado durante o treinamento da ONU em Tavares Bastos em 2007. &lt;/i&gt;</p>
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