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	<description>Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade</description>
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		<title>Unicamp avalia impacto do terremoto nas universidades do Haiti</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 20:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[A equipe do antropólogo Omar Ribeiro Thomaz, que estava em Porto Príncipe no dia do terremoto, é a responsável agora por um projeto de curtíssimo prazo: avaliar o impacto da tragédia para as instituições de ensino superior do país. Um representante viaja nesta semana para o Haiti para estruturar a equipe de campo e concluir um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A equipe do antropólogo Omar Ribeiro Thomaz, que estava em Porto Príncipe no dia do terremoto, é a responsável agora por um projeto de curtíssimo prazo: avaliar o impacto da tragédia para as instituições de ensino superior do país. Um representante viaja nesta semana para o Haiti para estruturar a equipe de campo e concluir um relatório até o final de fevereiro. Informações premilinares dão conta que só na Université d&#8217;Etat d&#8217;Haiti, onde estudavam 3.500 alunos, cerca de 1 mil teriam morrido. O relatório pode ajudar a desenvolver programas de intercâmbio de professores e alunos entre as universidades brasileiras e as instituições haitianas, uma forma de ajudar o país depois dos estragos imensos do terremoto.</p>
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		<title>Tropas dos Estados Unidos no Haiti: a &#8220;ajuda militarizada&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 14:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.
A lembrança da destruição do terremoto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignnone size-full wp-image-739" title="tropas desembarcam palácio" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/tropas-desembarcam-palácio.jpg" alt="" width="505" height="305" /></em></p>
<p>A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.</p>
<p>A lembrança da destruição do terremoto no Haiti tem cheiro e imagem: os cadáveres negros em Porto Príncipe levados por caminhões para serem enterrados em valas comuns, sem identificação, empilhados como lixo de um aterro. E mesmo essa violenta imagem é pequena para o tamanho do drama de um país, que, agora, ganhou para si mais um rótulo entre os tantos de seu empobrecimento. O de possuir uma “geração de desaparecidos”, que se perdeu em uma das piores catástrofes desde o tsunami asiático e das bombas de Hiroshima e Nagasaki.</p>
<p>O tremor de 7 graus na escala Richter foi arrasador. Derrubou o QG da burocracia das Nações Unidas, além do Congresso haitiano, prédios ministeriais e o palácio presidencial, símbolo máximo do governo nacional que tentava andar com as próprias pernas desde a eleição de 2006. O colapso da sede do governo, uma espécie de Casa Branca caribenha, foi o símbolo da derrocada política pós-terremoto. O segundo piso da construção ruiu quase completamente sobre o primeiro. Debaixo da cúpula principal ficaram soterrados os bustos de Alexandre Pétion e Simon Bolívar, ambos heróis ligados à primeira república negra da história.  O presidente René Préval e o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive estavam perdidos entre tantas carências.</p>
<p>O primeiro grito de socorro era para a ONU, que vem renovando anualmente o mandato da Minustah, a missão para a estabilização do Haiti, e ainda não conseguiu implementar projetos civis em escala no país. Todavia, o abalo e seu impacto foram democráticos para pobres e ricos: as Nações Unidas perderam seu <em>staff</em> de primeiro escalão. O tunisiano Hedi Annabi e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, chefe e vice-chefe no Haiti, respectivamente, faleceram entre os escombros. Entre os capacetes azuis também houve baixas.</p>
<p>O segundo grito de socorro de René Préval foi direto ao governo estadunidense – a essa altura já informado suficientemente pela embaixada do Haiti, a maior de Porto Príncipe e a representação diplomática que mais injeta dinheiro no país. Préval pediu quase tudo. Os estadunidenses, agora chefiados pelo presidente Barack Obama, prontamente responderam. E aproveitaram a ajuda humanitária para retomar sua influência direta na região com tropas militares, o que não faziam desde 2004.</p>
<p>Aliás, aqui vale uma pausa: a crise política aberta há seis anos teve dois eventos cruciais, publicamente denunciados, mas nunca investigados. Um deles, o financiamento estrangeiro a Guy Phillipe, ex-chefe de polícia da cidade de Cap-Haïtien que recebeu treinamento das forças especiais estadunidenses em 1990 no Equador. Phillipe armou uma milícia para marchar a partir da fronteira da República Dominicana e tentar derrubar o presidente Jean Bertrand Aristide. Quem o teria financiado? O outro acontecimento foi a retirada, no dia 29 de fevereiro, do presidente Aristide e sua família num avião comandado pelos fuzileiros estadunidenses. Levados para um “exílio” na África, Aristide acusou um golpe de Estado em sua primeira entrevista1. A situação se perdeu no jogo diplomático e no pronto reconhecimento do governo provisório por EUA, Canadá, França e até Brasil, que, a essa altura, já era convidado a comandar as tropas da ONU. Era o 33º golpe de Estado da história haitiana.</p>
<p>Os EUA mantiveram, com apoio de França, Canadá e Chile, uma força militar interina no Haiti até que a ocupação das Nações Unidas tivesse o comando. E a liderança do braço militar da missão foi dada ao Brasil, pois naquele momento, o governo George W. Bush estava atolado até o pescoço com a invasão ao Iraque. Começava o período em que estadunidenses deixavam o Haiti, a poucos quilômetros de sua costa, sob uma ocupação controlada pelo Conselho de Segurança da ONU. Em todas as ocasiões que podia, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice elogiava pesadamente o desempenho do Brasil no Haiti.</p>
<p>Bem, esse intervalo de ação militar dos EUA no Haiti terminou no terremoto. Com o governo democrata, a “operação humanitária” foi gigantesca. Se antes a soberania do povo haitiano era ameaçada com negociações econômicas e políticas, o momento atual concretiza o domínio do Haiti como extensão do território estadunidense. O próprio comando militar da ONU foi atropelado, embaraço esse devidamente negado posteriormente.</p>
<p>O controle do abalado Aeroporto Internacional Toussaint L’Overture pelos EUA indicava a primeira ação polêmica. O número de voos foi limitado a 60 por dia. A prioridade seria desembarcar a estrutura militar que chegava ao país. Aeronaves com equipamentos e ajuda humanitária foram desviados para a República Dominicana. De 14 a 19 de janeiro, período crítico da ajuda às vítimas, a ONG Médicos Sem Fronteiras teve 15 aviões enviados para Santo Domingo. A chegada a Porto Príncipe de 85 toneladas de equipamentos médicos foi postergada, enquanto a estrutura militar dos EUA era priorizada. Só depois de novas reclamações, o número de voos foi aumentado para cerca de 100 por dia. Também foi ícone da ocupação o desembarque do helicóptero com um pelotão de fuzileiros no gramado do combalido Palácio do Governo.</p>
<p>A mobilização incluiu o Departamento de Defesa, Usaid, Guarda Costeira e outros órgãos, num total de 16 mil soldados e trabalhadores, número maior do que todo o efetivo da Minustah. Até se cogitou usar a Base de Guantánamo para receber desabrigados haitianos.</p>
<p>A saraivada de críticas contra a ação militar gigantesca fez com que o Departamento de Estado tirasse a logística bélica de seu balanço de 10 dias de ações no Haiti. Afinal, tratava-se de uma operação de ajuda ou de uma ocupação militar? As duas coisas. Ironicamente, essa tem sido uma estratégia usada cada vez mais como forma de amenizar rejeições à militarização do território e a posterior adoção de “contrapartidas” com esses países. Isso quando a ajuda e a doação não são somente promessas no calor da comoção de uma crise social e política&#8230;</p>
<p>Um exemplo: em 2004, os países ricos se comprometeram com doações de US$ 1,08 bilhão ao Haiti e sequer enviaram todos os recursos prometidos. Agora, o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a anunciar um empréstimo “sem juros”. Parecia piada, justamente vinda de um órgão que forçou o governo a implodir as taxas de importação de um dos principais produtos agrícolas do país, o arroz, posteriormente comprado do excedente estadunidense em detrimento da produção local.</p>
<p>Resta-nos ver quando as novas promessas de doação vão chegar e como serão aplicadas. Há indícios do que está por vir. Em janeiro, foi realizada a primeira reunião para definir a metodologia adotada para a aplicação dos recursos dos países doadores. Ou seja, o começo da discussão diplomática. A secretária de Estado, Hillary Clinton, pediu que haja “mecanismos de coordenação, de supervisão e de verificação” para garantir que o dinheiro está sendo gasto de modo “eficaz”. E quem vai definir isso são os doadores.</p>
<p>Em entrevista recente, a ativista Naomi Klein fez uma comparação da tese de seu livro “The Shock Doctrine” ao terremoto do Haiti. Para ela, a doutrina usa desastres para evitar a democracia, sob o argumento de que as pessoas não são capazes de tomar decisões e alguém precisa fazer isso por elas. Políticas impopulares são adotadas muitas vezes a partir dos desejos de uma elite. “No caso do Haiti, a Heritage Foundation nem sequer esperou 24 horas para pedir ao governo Obama reformar a economia do Haiti”, diz Klein². Só para registrar, como sabemos, a Heritage Foundation é o núcleo de ideias econômicas da direita americana e formou quadros do governo Bush.</p>
<p>O Brasil está em seu momento mais delicado desde a decisão política de enviar tropas ao Caribe. Precisará abrir os cofres e ajudar a articular o uso do dinheiro para fazer diferença na vida dos haitianos, sob o risco de ver os anos de ocupação militar irem por água abaixo. A missão recomeça. O anúncio do emprego de R$ 376 milhões e o envio de mais soldados foi apenas o início.</p>
<p>O Haiti atual se tornou uma distorção da beleza de sua história, marcada pela conquista da independência por ex-escravos. Mais de duzentos anos depois do sonho de liberdade, a realidade é que falta muito para conseguir soberania para o povo haitiano. Um terço da população foi diretamente afetada pelo terremoto, a economia está mais frágil que nunca para se reerguer e a reboque da ação estrangeira. Será a luta para não ser colônia novamente.</p>
<p><em>* <strong>Aloisio Milani</strong> é jornalista e roteirista, viajou como repórter quatro vezes ao Haiti. Coordena a rede colaborativa e independente haiti.org.br. Artigo publicado originalmente em <strong>Le Monde Diplomatique Brasil</strong>, na edição de fevereiro de 2010.</em></p>
<p><strong><em>Notas:<br />
</em></strong>1 Aristide concedeu uma de suas primeiras entrevistas após o golpe ao site independente Democracy Now!2 Entrevista à Newsweek no dia 22 de janeiro (<a href="http://haiti.org.br/2010/01/naomi-klein-haitians-will-shape-their-future/" target="_blank">link</a>)</p>
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		<title>Advogado de americanos detidos no Haiti deixa o caso &#8211; Estadão</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 10:43:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte:  Google News


Estadão


Advogado de americanos detidos no Haiti deixa o casoEstadãoPORTO PRÍNCIPE &#8211; O advogado haitiano que representava os dez americanos acusados de sequestro por tentar levar 33 crianças do Haiti para a República &#8230;e mais&#160;&#187;



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			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte:  Google News</p>
<table border="0" cellpadding="2" cellspacing="7" style="vertical-align:top;">
<tr>
<td width="80" align="center" valign="top"><font style="font-size:85%;font-family:arial,sans-serif"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fnoticias%2Finternacional%2Cadvogado-de-americanos-detidos-no-haiti-deixa-o-caso%2C507959%2C0.htm&amp;usg=AFQjCNErI_Q9y6NRrwAQLdoHZ9fETTNp8w"><img src="http://nt3.ggpht.com/news/tbn/k-xkrZk5rAvC8M/0.jpg" alt="" border="1" width="80" height="77" /><br /><font size="-2">Estadão</font></a></font></td>
<td valign="top" class="j"><font style="font-size:85%;font-family:arial,sans-serif">
<div style="padding-top:0.8em;"><img alt="" height="1" width="1" /></div>
<div class="lh"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fnoticias%2Finternacional%2Cadvogado-de-americanos-detidos-no-haiti-deixa-o-caso%2C507959%2C0.htm&amp;usg=AFQjCNErI_Q9y6NRrwAQLdoHZ9fETTNp8w"><b>Advogado de americanos detidos no <b>Haiti</b> deixa o caso</b></a><br /><font size="-1"><b><font color="#6f6f6f">Estadão</font></b></font><br /><font size="-1">PORTO PRÍNCIPE &#8211; O advogado <b>haitiano</b> que representava os dez americanos acusados de sequestro por tentar levar 33 crianças do <b>Haiti</b> para a República <b>&#8230;</b></font><br /><font size="-1" class="p"></font><br /><font class="p" size="-1"><a class="p" href="http://news.google.com.br/news/story?pz=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt&amp;ncl=dY_UcOlZlvAOVKM"><nobr><b>e mais&nbsp;&raquo;</b></nobr></a></font></div>
<p></font></td>
</tr>
</table>
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		<title>Dany Laferrière: o terremoto e a força do povo haitiano</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 19:21:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Milazzo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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Dany Laferrière é um dos expoentes da literatura caribenha contemporânea. Nascido em Porto Príncipe, na década de 70 o escritor teve de deixar seu país e partir para o exílio em Montreal, Canadá, fugindo da repressão do regime do ditador François Duvalier, o Papa Doc.
Laferrière estava em Pétionville, bairro no alto da capital haitiana, local [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-723" title="laferriere" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/laferriere.jpg" alt="" width="340" height="250" /></p>
<p>Dany Laferrière é um dos expoentes da literatura caribenha contemporânea. Nascido em Porto Príncipe, na década de 70 o escritor teve de deixar seu país e partir para o exílio em Montreal, Canadá, fugindo da repressão do regime do ditador François Duvalier, o Papa Doc.</p>
<p>Laferrière estava em Pétionville, bairro no alto da capital haitiana, local de mansões e embaixadas, quando houve o terremoto que já matou mais de 150 mil vítimas. Neste início de fevereiro, o escritor falou da experiência na Biblioteca do Arsenal – que integra a Biblioteca Nacional da França, em Paris.</p>
<p>O texto original foi publicado na revista francesa <em><a href="http://www.humanite.fr/2010-02-04_International_Haiti-Dany-Laferriere-Le-monde-entier-a-pu-verifier-la " target="_blank">L&#8217;Humanité</a></em>. A tradução para o português é de Daniel Milazzo, para o Haiti.Org.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando aconteceu, eu pensei: não vou me deixar intimidar por um terremoto. Esse sismo de magnitude 7 a 7,3 na escala Richter é paradoxal. É possível correr sem cair. Entretanto, as casas mais bem construídas – resultado da orgia de concreto que a ilha viveu para enfrentar os ciclones – desabaram com as pessoas dentro. O peso das construções as fez vacilar de acordo com um princípio do judô: é a sua própria força que te matará. No jardim do Hotel Karibe, onde eu estava com Michel Le Bris, nenhum ramo de flor foi quebrado. Dormimos na quadra de tênis. Quando ficamos sabendo que os palácios tinham ruído, assim como o ministério das Finanças e a catedral, pensamos: só há mais nada além dos seres humanos, todo o poder, todas as classes sociais desapareceram. </p>
<p>Nós nos deitamos no mesmo solo onde sentimos muito intesamente os 43 tremores seguintes. Sentíamos realmente o menor movimento da terra e então pensei que nunca mais poderei confiar nela. Em caso de terremoto, a terra não existe mais. Ela rola, parece que alguém a está sacudindo<strong> </strong>como um lençol. Pouco após o amanhecer, Lyonel Trouillot [<em>escritor e poeta haitiano</em>] veio se encontrar comigo. Nós fomos ver minha mãe. O bairro inteiro estava destruído. Nunca tinha conhecido um fenômeno como tal : as casas caíam ao meu redor de maneira imprevisível. Quando chegamos em frente ao abrigo de Franketienne [poeta, escritor e dramaturgo haitiano]<strong>, </strong>eu o encontrei em lágrimas. Ele me mostrou sua « fortaleza », em outras palavras, sua residência, uma autoficção construída para guardar seus quados e seus manuscritos. Ela estava bem prejudicada. Ele me disse que meia-hora antes do sismo ele repetia um solo e pronunciava as seguintes palavras : « Pouco a pouco, tudo se fissura, tudo se despedaça ». Ele mora a dez minutos da casa de minha mãe. Avistei um sobrinho que passava por ali e que mora na casa dela. Ele me disse que ela estava viva. Quando ocorreu o tremor de terra, eram dez para as 5, 6 horas. É a hora mais improvável em Porto Príncipe. Após o trabalho, as pessoas não vão diretamente para suas casas. Até as 6 horas, cada um é livre, ninguém sabe onde estão os outros. Quando cheguei na casa de minha mãe, encontrei-a muito nervosa. Ela me disse : « Tenho 90 anos. Vi de tudo : oito golpes de Estado, os Duvalier, o pai, o filho e o neto Aristide, os ciclones, dentre os quais aquele de um ano atrás, uma inundação&#8230; mas não esperava isso. » </p>
<p>Não sei se, mentalmente, aqueles que vão continuar nesta tera que habitam não continuarão a viver com o sentimento de uma profunda instabilidade. Haverá um problema psicológico de equilíbrio, mesmo que seja um povo forte. Esse terremoto é, sem sobra de dúvida, o maior acontecimento da ilha produzido sem manobras humanas desde a independência. Desta vez, todo o mundo compreende esta simples realidade : um terremoto dilacerou um país que já estava de joelhos. O racismo não joga apenas para embaralhar as cartas. A desgraça haitiana permitu que se penetrasse em zonas onde ninguém ia há muito tempo. Em Montreal [Dany Laferrière mora em Québec], vi reagir pessoas que não haviam se mobilizado desde o apartheid na África do Sul. Os jovens dos Estados Unidos estão muito excitados com o assunto pois estão apaixonados pelos ensejos ecológicos. O Haiti passou a fazer parte da visão planetária desse grupo. A ilha não é mais enxergada como um dado folclórico mas como um pedaço do mundo. Não é mais uma questão de lugar, mas uma questão de tempo. Aconteceu agora.</p>
<p>De repente, as pessoas de todo o mundo passaram a amar o Haiti sem saber como canalisar esse amor, mas acredito que esse momento terrível, que custa infinitamente caro, tem de ser aproveitado como o que ocorreu na luta pela independência. A política haitiana também tem que agarrar o momento. Há dez anos que não há mais debate. Que não há mais governo. O acontecimento é, paradoxalmente, uma chance, desde que as discussões sejam diretas, eficazes. Sob uma ditadura, o discurso do poder seria forte demais.</p>
<p>Dessa vez, escutamos o clamor do povo. Os haitianos são pessoas excepcionais, corajosas, disciplinadas, pacientes, mutuamente generosas e imaginativas. Todo o mundo verificou essa força. Ela deveria ser aplicada através de uma consciência nacional sem discurso ideológico. É um momento novo, inédito a se compreender. Quanto aos artistas, um grande poeta disse : « Os deuses enviam sofrimentos aos pobres para que eles os transformem em cantos ». Então, nós não vamos ficar de braços cruzados.</p>
<p>O grande receio é de ir ver o « doente » Haiti uma ou duas vezes e depois fica nisso. É preciso que o Haiti retome o diálogo. Durante uma semana, o Haiti fez funcionar o mundo midiático. Esse acontecimento fez os ocidentais acordarem por pelo menos sete dias. A televisão milagrosamente conseguiu captar a maneira como os haitianos encaram os fatos, permanecem plácidas apesar das carências, calmos, atentos, cheios de humor, e isso aproximou os ocidentais. Trata-se de intercambiar bens e emoções. É preciso haver uma relação de mercearia. Que as pessoas não enviem um monte de dinheiro de uma só vez. Não acelerar as coisas, mas se perguntar o que o Haiti nos traz. É preciso que o Haiti guarde aquilo que pode dar e que essa relação dure. Disso se trata um intercâmbio de bens e emoções. Então, vamos recomeçar. Com esse acontecimento, foi enfim consumada a morte de Duvalier, quem nos bloqueou o espírito por tanto tempo. Nós vamos sair desta neurose.<strong> </strong>O tremor de terra pôde tocar zonas sensívels, o coração e o corpo, mas o espírito do lucro não comeu a alma dos haitianos. É a cultura que estrutura o país. </p>
<p>O escritor tem o papel de intervir, de anotar. Conheço meu país, conheço este olhar distanciado que ele tem sobre esses acontecimentos como se fosse um espetáculo. Essa distância, podemos tê-la em nossa casa, mas eu me pergunto se ela é possível a partir do exterior. Os jornais exageram muito. Quando se fala do Haiti, se escuta sempre a mesma coisa: “Primeira República negra”, “pérola das Antilhas”, e bruscamente torna-se “país de 32 golpes de Estado, país de Duvalier”, “ditadura tropical”&#8230; É pesado. Nunca dá para começar uma discussão tocar nesses pontos. Desde o terremoto, eu vejo “Haiti querido” escrito por tudo quanto é lado. Rapidamente tomei a palavra nos jornais para dizer: “Parem com a expressão maldição”. O Haiti acaba de entrar no cenário internacional de maneira<strong> </strong>clara e compreensível. Não precisamos mais que colem certas expressões na nossa pele. É preciso, sobretudo, que o diálogo não seja cortado. O fundo do diálogo é a liberdade. As pessoas de poder gostam dos discursos bem fechados, pois têm medo da liberdade.”</p></blockquote>
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		<title>Tremor no Haiti é 3º mais letal em cem anos &#8211; O Globo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 05:39:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte:  Google News


Expresso


Tremor no Haiti é 3º mais letal em cem anosO GloboO premiê do Haiti, Jean-Max Bellerive, aumentou para 212 mil o número de mortos confirmados no terremoto que devastou o país no último dia 12. &#8230;Haiti confirma 212 mil mortos após terremotoTerra BrasilHaiti confirma mais de 200 mil mortes após terremotoG1.com.brInsatisfação cresce [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte:  Google News</p>
<table border="0" cellpadding="2" cellspacing="7" style="vertical-align:top;">
<tr>
<td width="80" align="center" valign="top"><font style="font-size:85%;font-family:arial,sans-serif"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.expresso.pt%2Fhaiti-balanco-ascende-a-212-mil-mortos%3Df562068&amp;usg=AFQjCNFM5QSCuD769jMc7W5pz7TAkKYSzQ"><img src="http://nt3.ggpht.com/news/tbn/D_kGrEg0ZeIkAM/0.jpg" alt="" border="1" width="80" height="53" /><br /><font size="-2">Expresso</font></a></font></td>
<td valign="top" class="j"><font style="font-size:85%;font-family:arial,sans-serif">
<div style="padding-top:0.8em;"><img alt="" height="1" width="1" /></div>
<div class="lh"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fpais%2Fnoblat%2Fposts%2F2010%2F02%2F06%2Ftremor-no-haiti-3-mais-letal-em-cem-anos-264131.asp&amp;usg=AFQjCNGjh5xcsZvODPZKS0VMpzblIwGnHA"><b>Tremor no <b>Haiti</b> é 3º mais letal em cem anos</b></a><br /><font size="-1"><b><font color="#6f6f6f">O Globo</font></b></font><br /><font size="-1">O premiê do <b>Haiti</b>, Jean-Max Bellerive, aumentou para 212 mil o número de mortos confirmados no terremoto que devastou o país no último dia 12. <b>&#8230;</b></font><br /><font size="-1"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fnoticias.terra.com.br%2Fbrasil%2Fnoticias%2F0%2C%2COI4248069-EI306%2C00-Haiti%2Bconfirma%2Bmil%2Bmortos%2Bapos%2Bterremoto.html&amp;usg=AFQjCNGCAOgXV9OvnjYKswrA8dtVMZAhfg"><b>Haiti</b> confirma 212 mil mortos após terremoto</a><font size="-1" color="#6f6f6f"><nobr>Terra Brasil</nobr></font></font><br /><font size="-1"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fg1.globo.com%2FNoticias%2FTecnologia%2F0%2C%2CMUL1473703-6174%2C00-HAITI%2BCONFIRMA%2BMAIS%2BDE%2BMIL%2BMORTES%2BAPOS%2BTERREMOTO.html&amp;usg=AFQjCNHig2rfzUFoW7X1C9Nggc16tNW3Yg"><b>Haiti</b> confirma mais de 200 mil mortes após terremoto</a><font size="-1" color="#6f6f6f"><nobr>G1.com.br</nobr></font></font><br /><font size="-1"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fhostednews%2Fafp%2Farticle%2FALeqM5jRj2V_C11K_K5Is7IOStawGwcI2w&amp;usg=AFQjCNGKdUBmBethHmoKvJ13wqoLweEFRQ">Insatisfação cresce no <b>Haiti</b>, onde terremoto matou mais de 200 mil</a><font size="-1" color="#6f6f6f"><nobr>AFP</nobr></font></font><br /><font size="-1" class="p"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fnoticias%2Finternacional%2Cterremoto-do-haiti-e-o-terceiro-mais-mortifero-desde-1900%2C505250%2C0.htm&amp;usg=AFQjCNH-AEO6sE6j7lhTHCiVBaxhetaIvA"><nobr>Estadão</nobr></a>&nbsp;-<a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.sidneyrezende.com%2Fnoticia%2F73347%2Bmortos%2Bem%2Bterremoto%2Bja%2Bsao%2B212%2Bmil%2Binforma%2Bprimeiro%2Bministro%2Bdo%2Bhaiti&amp;usg=AFQjCNGhQ5UdbQhedMyjxQZ9MEZqr7HB7Q"><nobr>SRZD</nobr></a>&nbsp;-<a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fhostednews%2Fepa%2Farticle%2FALeqM5iNkiFzx_rpYUiDED5c21rPB_4tNw&amp;usg=AFQjCNHcRAtVFzcJBUzhGDncgSBomRBh-Q"><nobr>EFE</nobr></a></font><br /><font class="p" size="-1"><a class="p" href="http://news.google.com.br/news/story?pz=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt&amp;ncl=dDD1HanCX_BfHVMk1w048k5KShHLM"><nobr><b>todos os 184 artigos&nbsp;&raquo;</b></nobr></a></font></div>
<p></font></td>
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		<title>Haiti: Help from Neighbours</title>
		<link>http://haiti.org.br/2010/02/haiti-help-from-neighbours/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 15:31:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Na rede]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Janine Mendes-Franco Global Voices Online
CARICOM member states make donations to the Haiti earthquake relief effort: Repeating Islands has the details.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte: Janine Mendes-Franco Global Voices Online</p>
<p>CARICOM member states make donations to the Haiti earthquake relief effort: <em><a href="http://repeatingislands.com/2010/02/05/caricom-donates-4m-to-haiti%E2%80%99s-relief/">Repeating Islands</a></em> has the details.</p>
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		<title>CSA: para que tantos militares no Haiti pós-terremoto?</title>
		<link>http://haiti.org.br/2010/02/csa-para-que-servem-tantos-militares-no-haiti-pos-terremoto/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 21:24:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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Por Alexandre Praça (CSA)
Na semana passada, a Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (CSA) em conjunto com a Confederação Sindical Internacional (CSI) enviou um grupo de apoio ao Haiti. A idéia foi ter um contato direto com o movimento sindical do país para delinear as estratégias de auxilio às vítimas do terremoto. Centrais sindicais do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-710" title="terremoto haiti sindicatos" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/terremoto-haiti-sindicatos.jpg" alt="" width="473" height="336" /></p>
<p>Por Alexandre Praça (CSA)</p>
<p>Na semana passada, a Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (CSA) em conjunto com a Confederação Sindical Internacional (CSI) enviou um grupo de apoio ao Haiti. A idéia foi ter um contato direto com o movimento sindical do país para delinear as estratégias de auxilio às vítimas do terremoto. Centrais sindicais do mundo inteiro atenderam ao chamado de solidariedade da CSI em apoio ao povo haitiano.</p>
<p>A assessora de direitos humanos da CSA, Leandra Perpétuo, foi uma das integrantes da missão sindical. Já de volta ao Brasil, ela nos relatou o espírito de dignidade da população do país, os projetos do movimento sindical haitiano e a tarefa de reconstrução. Para a socióloga, o que mais lhe impressionou foi a  ocupação militar da ilha: “Mas não no sentido de botar ordem e sim no sentido de botar medo mesmo”.</p>
<p><strong>Conta um pouco sobre essa missão no Haiti. Qual foi a idéia e o que exatamente foi feito no país?<br />
</strong>A idéia surgiu da própria Confederação Sindical Internacional (CSI). A intenção foi saber como estava a nossa central sindical afiliada, a CTH (Confederação de Trabalhadores Haitianos) e os outros sindicatos com os quais a gente tem relação. Queríamos saber como estavam as pessoas, suas famílias, do que eles estavam sobrevivendo e levar algum tipo de ajuda. Para isso, foram liberados 20 mil euros por parte do fundo geral da CSI.</p>
<p>A gente buscou trabalhar com os sindicatos da República Dominicana, porque eles eram a única via de acesso até o Haiti, no sentido de poder comprar e levar esses mantimentos não só para os sindicatos como para todas as pessoas que fossem possíveis. Nós queríamos saber como essa ajuda poderia ser efetiva e quais seriam os próximos passos a dar.</p>
<p>Na segunda-feira, 25 de janeiro, já havia sido feito um reconhecimento dos lugares que estavam recebendo a ajuda e foi levado o primeiro carregamento de mantimentos. Nossa opção foi não levar para os grandes acampamentos, mas sim para os pequenos em lugares mais afastados de onde estão as missões internacionais. Isso porque nos centros principais, de uma forma ou outra, acreditamos que as coisas estão chegando. Mas nesses lugares pequenos, que estão longe, a ajuda não chega. Isso se vê porque quando se caminha por esses acampamentos, sempre se vê placas dizendo “precisamos de ajuda, de comida, água”.</p>
<p><strong>Você chegou a presenciar a distribuição de ajuda?</strong><br />
Sim e o que mais me impressionou foi que era completamente diferente do que se vê pela TV. É falsa essa idéia de que as pessoas estão enlouquecidas e pulam em cima de quem está oferecendo auxílio. Isso não aconteceu. As pessoas ficavam em fila, esperando a sua vez, recebendo a sua bolsa de mantimentos. Foi tudo extremamente tranqüilo e sem tumulto. Isso já me tirou a idéia de que tudo estava uma bagunça. Outra coisa que me pareceu, foi que as pessoas estão tentando voltar a ter uma vida normal, tentando tocar a vida para frente e não pensar muito no que aconteceu. Eles estão tentando pensar no que fazer daqui pra frente.</p>
<p><strong>E como foi o contato com o movimento sindical haitiano?<br />
</strong>Nós também fomos até a sede da CSH (Coordenação Sindical Haitiana), que ficou praticamente intacta. Ali encontramos o secretario geral, Carlo Napoleon, conversando com outros sindicalistas e planejando a organização das tarefas de apoio. Havia uma promessa do governo de que eles receberiam mantimentos como centrais sindicais. Mas isso não se realizou. Inclusive, quem estava responsável por isso era o Ministro do Trabalho, mas ele abriu mão desse cargo porque disse não ter condições de sozinho organizar tudo isso.</p>
<p>Também tivemos uma reunião com todos os sindicalistas. O que ficou acertado é que as doações seriam enviadas ao centro de formação da CTH (INAFOS) que é onde estão alojados sindicalistas e outras pessoas. Os sindicatos então receberiam uma parte, para que a ajuda não se restringisse a eles, mas para todos.</p>
<p><strong>No INAFOS, qual a impressão que teve da gente que está alojada por ali? Eles estão bem? Porque obviamente não são todos sindicalistas.</strong><br />
Aparentemente as pessoas estão inteiras e vivas. Mas o que a gente tem medo é o dano psicológico que causou tudo isso. Uma segunda questão é a forma que eles estão vivendo. Todo mundo está dormindo no chão, com só uma cobertura servindo de teto. Estão ali quase 200 pessoas, incluindo idosos e crianças. Quanto às condições de higiene, quando você compara com o restante da cidade, é praticamente um hotel cinco estrelas porque tem água, comida,e se servem pelo menos duas refeições ao dia. O problema é que as pessoas não têm nem o mínimo de privacidade. Está todo mundo dormindo ali e os banheiros são poucos.</p>
<p><strong>Que tipo de iniciativas os sindicatos estão tomando?<br />
</strong>O Paul Loulou, secretario geral da CTH, nos falou que ele quer dar o exemplo. Eles querem botar o centro para funcionar como lugar de formação. Segundo ele, por causa do terremoto a vida não pode parar. Eles estavam tentando algumas parcerias para utilizar o centro para formação de atividades que possam dar início à reconstrução da cidade, formando pedreiros e eletricistas. Existe também um projeto de criação de um restaurante popular em um local fora de Porto Príncipe.</p>
<p><strong>As notícias que chegam mostram um país mergulhado no caos, as pessoas voltaram para o período da barbárie. Sempre seguindo esse conceito de que os haitianos não são capazes de gerir o seu próprio país e muito menos agora nesse período de destruição. Qual a sua impressão em relação a isso e como as pessoas estão lidando com o problema?<br />
</strong>A impressão que eu tive é que era um país pobre. Mas o que eu vi não me diferenciava de nenhuma cidade dessas do Recôncavo nordestino onde o poder público não chega. De uma forma geral, achei que eles estão tentando retomar a vida, o comércio está funcionando, os bancos funcionam, o transporte público funciona. Em alguns lugares você consegue comprar um caminhão pipa para abastecer as casas, existem postos de gasolina e também hospitais. Onde é possível, está funcionando. Não se vê tumulto na rua, nem briga, nada disso. Nos grandes acampamentos, a vida está fluindo normalmente.</p>
<p>Por exemplo, a gente viu um acampamento venezuelano onde as tendas estavam todas bem colocadas e as pessoas faziam fila para receber comida. A gente foi para outro acampamento organizada por um padre no qual todas as barracas estavam enfileiradas com números, cada um sabia quem era o seu vizinho, todos tinham comida, estavam cozinhando a lenha – que é um costume deles. Na cidade existem feiras livres, onde as pessoas estão vendendo as suas verduras e outras coisas. Não se vê nenhum sinal de bagunça nas ruas.</p>
<p>O que se sente muito é a presença militar. Mas não no sentido de botar ordem e sim no sentido de botar medo mesmo. Existem tanques de guerra e armas com mira a laser. Às vezes se podem ver campos enormes totalmente vazios mas com um contigente de 200 ou 300 soldados. Por quilômetros de distancia onde não existe nem um ser humano mas os soldados estão lá. Em uma feira pequena com 4 ou 5 barraquinhas não falta o tanque de guerra estacionado ao lado. Você se pergunta, para que serve isso?</p>
<p><strong>Em relação a projetos para daqui para frente. Existem duas vertentes que estão se destacando. De um lado, os que falam que a questão da reconstrução passa pelas empresas, que tem o direito de levar adiante essa tarefa de recriar todos os projetos de infra-estrutura. Por outro lado, há os que dizem que é tempo de finalmente adotar um sistema participativo onde os haitianos tenham voz e decidam que caminho querem seguir. Pelo que você observou que lado terá mais força?</strong><br />
Com essa invasão que se vê por lá, não vejo muita possibilidade de que eles possam decidir. Mas, pelo menos da parte dos sindicatos, a idéia é qualificar as pessoas para que possam se inserir e participar na reconstrução do país. Nós não entramos em contato com o governo para ter uma idéia. Os sindicatos estão tentando sem sucesso conseguir ajuda do governo para se manter. Mas eu não sei se eles têm definido claramente essa linha do que vão fazer ou como vai ser feito. Eles não têm nenhuma garantia, nem certeza. Acho que até o governo está perdido esperando alguém chegar e dizer o que eles precisam fazer. Acho que os haitianos não têm muita segurança do que vai acontecer.</p>
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		<title>Haiti: Human Trafficking</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 15:48:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte: Janine Mendes-Franco Global Voices Online
The Haitian Blogger gives an update on the story of American &#8220;missionaries&#8221; trying to take children out of Haiti without proper documentation: &#8220;A problem in Haiti which is heightened by the catastrophic earthquake is child trafficking.  Thankfully, the 10 Missionaries who attempted to move 33 orphans into the Dominican [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte: Janine Mendes-Franco Global Voices Online</p>
<p><em><a href="http://thehaitianblogger.blogspot.com/2010/02/in-haiti-baptist-missionaries-traffick.html">The Haitian Blogger</a></em> gives an update on the story of American &#8220;missionaries&#8221; trying to take children out of Haiti without proper documentation: &#8220;A problem in Haiti which is heightened by the catastrophic earthquake is child trafficking.  Thankfully, the 10 Missionaries who attempted to move 33 orphans into the Dominican Republic in order to establish an &#8220;&#8216;orphanage&#39; were apprehended.  The Missionaries are now behind bars in Haiti. Haitian officials have indicated that they believe these Missionairies are kidnappers.&#8221;</p>
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		<title>Marinha vai dobrar número de fuzileiros que atuam no Haiti &#8211; Abril</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 21:54:59 +0000</pubDate>
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Marinha vai dobrar número de fuzileiros que atuam no HaitiAbrilA Marinha vai dobrar o número de fuzileiros que atuam no Haiti, passando dos atuais 209 para 410, e deverá ampliar a base que tem no país, para garantir &#8230;e mais&#160;&#187;



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<div class="lh"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.abril.com.br%2Fnoticias%2Fmundo%2Fmarinha-vai-aumentar-numero-fuzileiros-haiti-530417.shtml&amp;usg=AFQjCNHGOK3O0yuKgX0s94edwLeoZzKaAg"><b>Marinha vai dobrar número de fuzileiros que atuam no <b>Haiti</b></b></a><br /><font size="-1"><b><font color="#6f6f6f">Abril</font></b></font><br /><font size="-1">A Marinha vai dobrar o número de fuzileiros que atuam no <b>Haiti</b>, passando dos atuais 209 para 410, e deverá ampliar a base que tem no país, para garantir <b>&#8230;</b></font><br /><font size="-1" class="p"></font><br /><font class="p" size="-1"><a class="p" href="http://news.google.com.br/news/story?pz=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt&amp;ncl=dDlqlqvei4La8ZM"><nobr><b>e mais&nbsp;&raquo;</b></nobr></a></font></div>
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		<title>Bill Clinton vai coordenar ajuda internacional no Haiti &#8211; O Globo</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 21:50:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Bill Clinton vai coordenar ajuda internacional no HaitiO GloboNAÇÕES UNIDAS (Reuters) &#8211; O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, atualmente o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Haiti, &#8230;e mais&#160;&#187;



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			<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte:  Google News</p>
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<td valign="top" class="j"><font style="font-size:85%;font-family:arial,sans-serif">
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<div class="lh"><a href="http://news.google.com/news/url?fd=R&amp;sa=T&amp;url=http%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fmundo%2Fmat%2F2010%2F02%2F01%2Fbill-clinton-vai-coordenar-ajuda-internacional-no-haiti-915762030.asp&amp;usg=AFQjCNFGLalO-PgJkojwvPsqa2FS-2wWdA"><b>Bill Clinton vai coordenar ajuda internacional no <b>Haiti</b></b></a><br /><font size="-1"><b><font color="#6f6f6f">O Globo</font></b></font><br /><font size="-1">NAÇÕES UNIDAS (Reuters) &#8211; O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, atualmente o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o <b>Haiti</b>, <b>&#8230;</b></font><br /><font size="-1" class="p"></font><br /><font class="p" size="-1"><a class="p" href="http://news.google.com.br/news/story?pz=1&amp;ned=pt-BR_br&amp;hl=pt&amp;ncl=dMZ_a9BzrxkoxSM"><nobr><b>e mais&nbsp;&raquo;</b></nobr></a></font></div>
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