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	<title>HAITI.ORG.BR &#187; Política</title>
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	<description>Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade</description>
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		<title>Tropas dos Estados Unidos no Haiti: a &#8220;ajuda militarizada&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 14:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.
A lembrança da destruição do terremoto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignnone size-full wp-image-739" title="tropas desembarcam palácio" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/tropas-desembarcam-palácio.jpg" alt="" width="505" height="305" /></em></p>
<p>A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.</p>
<p>A lembrança da destruição do terremoto no Haiti tem cheiro e imagem: os cadáveres negros em Porto Príncipe levados por caminhões para serem enterrados em valas comuns, sem identificação, empilhados como lixo de um aterro. E mesmo essa violenta imagem é pequena para o tamanho do drama de um país, que, agora, ganhou para si mais um rótulo entre os tantos de seu empobrecimento. O de possuir uma “geração de desaparecidos”, que se perdeu em uma das piores catástrofes desde o tsunami asiático e das bombas de Hiroshima e Nagasaki.</p>
<p>O tremor de 7 graus na escala Richter foi arrasador. Derrubou o QG da burocracia das Nações Unidas, além do Congresso haitiano, prédios ministeriais e o palácio presidencial, símbolo máximo do governo nacional que tentava andar com as próprias pernas desde a eleição de 2006. O colapso da sede do governo, uma espécie de Casa Branca caribenha, foi o símbolo da derrocada política pós-terremoto. O segundo piso da construção ruiu quase completamente sobre o primeiro. Debaixo da cúpula principal ficaram soterrados os bustos de Alexandre Pétion e Simon Bolívar, ambos heróis ligados à primeira república negra da história.  O presidente René Préval e o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive estavam perdidos entre tantas carências.</p>
<p>O primeiro grito de socorro era para a ONU, que vem renovando anualmente o mandato da Minustah, a missão para a estabilização do Haiti, e ainda não conseguiu implementar projetos civis em escala no país. Todavia, o abalo e seu impacto foram democráticos para pobres e ricos: as Nações Unidas perderam seu <em>staff</em> de primeiro escalão. O tunisiano Hedi Annabi e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, chefe e vice-chefe no Haiti, respectivamente, faleceram entre os escombros. Entre os capacetes azuis também houve baixas.</p>
<p>O segundo grito de socorro de René Préval foi direto ao governo estadunidense – a essa altura já informado suficientemente pela embaixada do Haiti, a maior de Porto Príncipe e a representação diplomática que mais injeta dinheiro no país. Préval pediu quase tudo. Os estadunidenses, agora chefiados pelo presidente Barack Obama, prontamente responderam. E aproveitaram a ajuda humanitária para retomar sua influência direta na região com tropas militares, o que não faziam desde 2004.</p>
<p>Aliás, aqui vale uma pausa: a crise política aberta há seis anos teve dois eventos cruciais, publicamente denunciados, mas nunca investigados. Um deles, o financiamento estrangeiro a Guy Phillipe, ex-chefe de polícia da cidade de Cap-Haïtien que recebeu treinamento das forças especiais estadunidenses em 1990 no Equador. Phillipe armou uma milícia para marchar a partir da fronteira da República Dominicana e tentar derrubar o presidente Jean Bertrand Aristide. Quem o teria financiado? O outro acontecimento foi a retirada, no dia 29 de fevereiro, do presidente Aristide e sua família num avião comandado pelos fuzileiros estadunidenses. Levados para um “exílio” na África, Aristide acusou um golpe de Estado em sua primeira entrevista1. A situação se perdeu no jogo diplomático e no pronto reconhecimento do governo provisório por EUA, Canadá, França e até Brasil, que, a essa altura, já era convidado a comandar as tropas da ONU. Era o 33º golpe de Estado da história haitiana.</p>
<p>Os EUA mantiveram, com apoio de França, Canadá e Chile, uma força militar interina no Haiti até que a ocupação das Nações Unidas tivesse o comando. E a liderança do braço militar da missão foi dada ao Brasil, pois naquele momento, o governo George W. Bush estava atolado até o pescoço com a invasão ao Iraque. Começava o período em que estadunidenses deixavam o Haiti, a poucos quilômetros de sua costa, sob uma ocupação controlada pelo Conselho de Segurança da ONU. Em todas as ocasiões que podia, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice elogiava pesadamente o desempenho do Brasil no Haiti.</p>
<p>Bem, esse intervalo de ação militar dos EUA no Haiti terminou no terremoto. Com o governo democrata, a “operação humanitária” foi gigantesca. Se antes a soberania do povo haitiano era ameaçada com negociações econômicas e políticas, o momento atual concretiza o domínio do Haiti como extensão do território estadunidense. O próprio comando militar da ONU foi atropelado, embaraço esse devidamente negado posteriormente.</p>
<p>O controle do abalado Aeroporto Internacional Toussaint L’Overture pelos EUA indicava a primeira ação polêmica. O número de voos foi limitado a 60 por dia. A prioridade seria desembarcar a estrutura militar que chegava ao país. Aeronaves com equipamentos e ajuda humanitária foram desviados para a República Dominicana. De 14 a 19 de janeiro, período crítico da ajuda às vítimas, a ONG Médicos Sem Fronteiras teve 15 aviões enviados para Santo Domingo. A chegada a Porto Príncipe de 85 toneladas de equipamentos médicos foi postergada, enquanto a estrutura militar dos EUA era priorizada. Só depois de novas reclamações, o número de voos foi aumentado para cerca de 100 por dia. Também foi ícone da ocupação o desembarque do helicóptero com um pelotão de fuzileiros no gramado do combalido Palácio do Governo.</p>
<p>A mobilização incluiu o Departamento de Defesa, Usaid, Guarda Costeira e outros órgãos, num total de 16 mil soldados e trabalhadores, número maior do que todo o efetivo da Minustah. Até se cogitou usar a Base de Guantánamo para receber desabrigados haitianos.</p>
<p>A saraivada de críticas contra a ação militar gigantesca fez com que o Departamento de Estado tirasse a logística bélica de seu balanço de 10 dias de ações no Haiti. Afinal, tratava-se de uma operação de ajuda ou de uma ocupação militar? As duas coisas. Ironicamente, essa tem sido uma estratégia usada cada vez mais como forma de amenizar rejeições à militarização do território e a posterior adoção de “contrapartidas” com esses países. Isso quando a ajuda e a doação não são somente promessas no calor da comoção de uma crise social e política&#8230;</p>
<p>Um exemplo: em 2004, os países ricos se comprometeram com doações de US$ 1,08 bilhão ao Haiti e sequer enviaram todos os recursos prometidos. Agora, o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a anunciar um empréstimo “sem juros”. Parecia piada, justamente vinda de um órgão que forçou o governo a implodir as taxas de importação de um dos principais produtos agrícolas do país, o arroz, posteriormente comprado do excedente estadunidense em detrimento da produção local.</p>
<p>Resta-nos ver quando as novas promessas de doação vão chegar e como serão aplicadas. Há indícios do que está por vir. Em janeiro, foi realizada a primeira reunião para definir a metodologia adotada para a aplicação dos recursos dos países doadores. Ou seja, o começo da discussão diplomática. A secretária de Estado, Hillary Clinton, pediu que haja “mecanismos de coordenação, de supervisão e de verificação” para garantir que o dinheiro está sendo gasto de modo “eficaz”. E quem vai definir isso são os doadores.</p>
<p>Em entrevista recente, a ativista Naomi Klein fez uma comparação da tese de seu livro “The Shock Doctrine” ao terremoto do Haiti. Para ela, a doutrina usa desastres para evitar a democracia, sob o argumento de que as pessoas não são capazes de tomar decisões e alguém precisa fazer isso por elas. Políticas impopulares são adotadas muitas vezes a partir dos desejos de uma elite. “No caso do Haiti, a Heritage Foundation nem sequer esperou 24 horas para pedir ao governo Obama reformar a economia do Haiti”, diz Klein². Só para registrar, como sabemos, a Heritage Foundation é o núcleo de ideias econômicas da direita americana e formou quadros do governo Bush.</p>
<p>O Brasil está em seu momento mais delicado desde a decisão política de enviar tropas ao Caribe. Precisará abrir os cofres e ajudar a articular o uso do dinheiro para fazer diferença na vida dos haitianos, sob o risco de ver os anos de ocupação militar irem por água abaixo. A missão recomeça. O anúncio do emprego de R$ 376 milhões e o envio de mais soldados foi apenas o início.</p>
<p>O Haiti atual se tornou uma distorção da beleza de sua história, marcada pela conquista da independência por ex-escravos. Mais de duzentos anos depois do sonho de liberdade, a realidade é que falta muito para conseguir soberania para o povo haitiano. Um terço da população foi diretamente afetada pelo terremoto, a economia está mais frágil que nunca para se reerguer e a reboque da ação estrangeira. Será a luta para não ser colônia novamente.</p>
<p><em>* <strong>Aloisio Milani</strong> é jornalista e roteirista, viajou como repórter quatro vezes ao Haiti. Coordena a rede colaborativa e independente haiti.org.br. Artigo publicado originalmente em <strong>Le Monde Diplomatique Brasil</strong>, na edição de fevereiro de 2010.</em></p>
<p><strong><em>Notas:<br />
</em></strong>1 Aristide concedeu uma de suas primeiras entrevistas após o golpe ao site independente Democracy Now!2 Entrevista à Newsweek no dia 22 de janeiro (<a href="http://haiti.org.br/2010/01/naomi-klein-haitians-will-shape-their-future/" target="_blank">link</a>)</p>
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		<title>CSA: para que tantos militares no Haiti pós-terremoto?</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 21:24:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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Por Alexandre Praça (CSA)
Na semana passada, a Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (CSA) em conjunto com a Confederação Sindical Internacional (CSI) enviou um grupo de apoio ao Haiti. A idéia foi ter um contato direto com o movimento sindical do país para delinear as estratégias de auxilio às vítimas do terremoto. Centrais sindicais do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-710" title="terremoto haiti sindicatos" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/terremoto-haiti-sindicatos.jpg" alt="" width="473" height="336" /></p>
<p>Por Alexandre Praça (CSA)</p>
<p>Na semana passada, a Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (CSA) em conjunto com a Confederação Sindical Internacional (CSI) enviou um grupo de apoio ao Haiti. A idéia foi ter um contato direto com o movimento sindical do país para delinear as estratégias de auxilio às vítimas do terremoto. Centrais sindicais do mundo inteiro atenderam ao chamado de solidariedade da CSI em apoio ao povo haitiano.</p>
<p>A assessora de direitos humanos da CSA, Leandra Perpétuo, foi uma das integrantes da missão sindical. Já de volta ao Brasil, ela nos relatou o espírito de dignidade da população do país, os projetos do movimento sindical haitiano e a tarefa de reconstrução. Para a socióloga, o que mais lhe impressionou foi a  ocupação militar da ilha: “Mas não no sentido de botar ordem e sim no sentido de botar medo mesmo”.</p>
<p><strong>Conta um pouco sobre essa missão no Haiti. Qual foi a idéia e o que exatamente foi feito no país?<br />
</strong>A idéia surgiu da própria Confederação Sindical Internacional (CSI). A intenção foi saber como estava a nossa central sindical afiliada, a CTH (Confederação de Trabalhadores Haitianos) e os outros sindicatos com os quais a gente tem relação. Queríamos saber como estavam as pessoas, suas famílias, do que eles estavam sobrevivendo e levar algum tipo de ajuda. Para isso, foram liberados 20 mil euros por parte do fundo geral da CSI.</p>
<p>A gente buscou trabalhar com os sindicatos da República Dominicana, porque eles eram a única via de acesso até o Haiti, no sentido de poder comprar e levar esses mantimentos não só para os sindicatos como para todas as pessoas que fossem possíveis. Nós queríamos saber como essa ajuda poderia ser efetiva e quais seriam os próximos passos a dar.</p>
<p>Na segunda-feira, 25 de janeiro, já havia sido feito um reconhecimento dos lugares que estavam recebendo a ajuda e foi levado o primeiro carregamento de mantimentos. Nossa opção foi não levar para os grandes acampamentos, mas sim para os pequenos em lugares mais afastados de onde estão as missões internacionais. Isso porque nos centros principais, de uma forma ou outra, acreditamos que as coisas estão chegando. Mas nesses lugares pequenos, que estão longe, a ajuda não chega. Isso se vê porque quando se caminha por esses acampamentos, sempre se vê placas dizendo “precisamos de ajuda, de comida, água”.</p>
<p><strong>Você chegou a presenciar a distribuição de ajuda?</strong><br />
Sim e o que mais me impressionou foi que era completamente diferente do que se vê pela TV. É falsa essa idéia de que as pessoas estão enlouquecidas e pulam em cima de quem está oferecendo auxílio. Isso não aconteceu. As pessoas ficavam em fila, esperando a sua vez, recebendo a sua bolsa de mantimentos. Foi tudo extremamente tranqüilo e sem tumulto. Isso já me tirou a idéia de que tudo estava uma bagunça. Outra coisa que me pareceu, foi que as pessoas estão tentando voltar a ter uma vida normal, tentando tocar a vida para frente e não pensar muito no que aconteceu. Eles estão tentando pensar no que fazer daqui pra frente.</p>
<p><strong>E como foi o contato com o movimento sindical haitiano?<br />
</strong>Nós também fomos até a sede da CSH (Coordenação Sindical Haitiana), que ficou praticamente intacta. Ali encontramos o secretario geral, Carlo Napoleon, conversando com outros sindicalistas e planejando a organização das tarefas de apoio. Havia uma promessa do governo de que eles receberiam mantimentos como centrais sindicais. Mas isso não se realizou. Inclusive, quem estava responsável por isso era o Ministro do Trabalho, mas ele abriu mão desse cargo porque disse não ter condições de sozinho organizar tudo isso.</p>
<p>Também tivemos uma reunião com todos os sindicalistas. O que ficou acertado é que as doações seriam enviadas ao centro de formação da CTH (INAFOS) que é onde estão alojados sindicalistas e outras pessoas. Os sindicatos então receberiam uma parte, para que a ajuda não se restringisse a eles, mas para todos.</p>
<p><strong>No INAFOS, qual a impressão que teve da gente que está alojada por ali? Eles estão bem? Porque obviamente não são todos sindicalistas.</strong><br />
Aparentemente as pessoas estão inteiras e vivas. Mas o que a gente tem medo é o dano psicológico que causou tudo isso. Uma segunda questão é a forma que eles estão vivendo. Todo mundo está dormindo no chão, com só uma cobertura servindo de teto. Estão ali quase 200 pessoas, incluindo idosos e crianças. Quanto às condições de higiene, quando você compara com o restante da cidade, é praticamente um hotel cinco estrelas porque tem água, comida,e se servem pelo menos duas refeições ao dia. O problema é que as pessoas não têm nem o mínimo de privacidade. Está todo mundo dormindo ali e os banheiros são poucos.</p>
<p><strong>Que tipo de iniciativas os sindicatos estão tomando?<br />
</strong>O Paul Loulou, secretario geral da CTH, nos falou que ele quer dar o exemplo. Eles querem botar o centro para funcionar como lugar de formação. Segundo ele, por causa do terremoto a vida não pode parar. Eles estavam tentando algumas parcerias para utilizar o centro para formação de atividades que possam dar início à reconstrução da cidade, formando pedreiros e eletricistas. Existe também um projeto de criação de um restaurante popular em um local fora de Porto Príncipe.</p>
<p><strong>As notícias que chegam mostram um país mergulhado no caos, as pessoas voltaram para o período da barbárie. Sempre seguindo esse conceito de que os haitianos não são capazes de gerir o seu próprio país e muito menos agora nesse período de destruição. Qual a sua impressão em relação a isso e como as pessoas estão lidando com o problema?<br />
</strong>A impressão que eu tive é que era um país pobre. Mas o que eu vi não me diferenciava de nenhuma cidade dessas do Recôncavo nordestino onde o poder público não chega. De uma forma geral, achei que eles estão tentando retomar a vida, o comércio está funcionando, os bancos funcionam, o transporte público funciona. Em alguns lugares você consegue comprar um caminhão pipa para abastecer as casas, existem postos de gasolina e também hospitais. Onde é possível, está funcionando. Não se vê tumulto na rua, nem briga, nada disso. Nos grandes acampamentos, a vida está fluindo normalmente.</p>
<p>Por exemplo, a gente viu um acampamento venezuelano onde as tendas estavam todas bem colocadas e as pessoas faziam fila para receber comida. A gente foi para outro acampamento organizada por um padre no qual todas as barracas estavam enfileiradas com números, cada um sabia quem era o seu vizinho, todos tinham comida, estavam cozinhando a lenha – que é um costume deles. Na cidade existem feiras livres, onde as pessoas estão vendendo as suas verduras e outras coisas. Não se vê nenhum sinal de bagunça nas ruas.</p>
<p>O que se sente muito é a presença militar. Mas não no sentido de botar ordem e sim no sentido de botar medo mesmo. Existem tanques de guerra e armas com mira a laser. Às vezes se podem ver campos enormes totalmente vazios mas com um contigente de 200 ou 300 soldados. Por quilômetros de distancia onde não existe nem um ser humano mas os soldados estão lá. Em uma feira pequena com 4 ou 5 barraquinhas não falta o tanque de guerra estacionado ao lado. Você se pergunta, para que serve isso?</p>
<p><strong>Em relação a projetos para daqui para frente. Existem duas vertentes que estão se destacando. De um lado, os que falam que a questão da reconstrução passa pelas empresas, que tem o direito de levar adiante essa tarefa de recriar todos os projetos de infra-estrutura. Por outro lado, há os que dizem que é tempo de finalmente adotar um sistema participativo onde os haitianos tenham voz e decidam que caminho querem seguir. Pelo que você observou que lado terá mais força?</strong><br />
Com essa invasão que se vê por lá, não vejo muita possibilidade de que eles possam decidir. Mas, pelo menos da parte dos sindicatos, a idéia é qualificar as pessoas para que possam se inserir e participar na reconstrução do país. Nós não entramos em contato com o governo para ter uma idéia. Os sindicatos estão tentando sem sucesso conseguir ajuda do governo para se manter. Mas eu não sei se eles têm definido claramente essa linha do que vão fazer ou como vai ser feito. Eles não têm nenhuma garantia, nem certeza. Acho que até o governo está perdido esperando alguém chegar e dizer o que eles precisam fazer. Acho que os haitianos não têm muita segurança do que vai acontecer.</p>
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		<title>Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 20:55:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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Eduardo Sales de Lima e Igor Ojeda* //
As imagens das TVs de todo o mundo mostram um verdadeiro inferno. Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero. Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-680" title="terremoto_haiti_devastacao" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto_haiti_devastacao.jpg" alt="" width="500" height="300" /></p>
<p>Eduardo Sales de Lima e Igor Ojeda* //</p>
<p>As imagens das TVs de todo o mundo mostram um verdadeiro inferno. Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero. Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido no dia 12 no Haiti são ainda mais graves devido à extrema pobreza em que vive a população do país, o de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do hemisfério ocidental. A análise um tanto óbvia não é incorreta, mas a imprensa em geral “esqueceu-se” de explicar o porquê de tanta miséria, praticamente naturalizando o subdesenvolvimento acentuado do Haiti.</p>
<p>“É preciso que se diga que se, de fato, as causas da tragédia são naturais, nem todos os efeitos o são”, opina Aderson Bussinger Carvalho, advogado e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visitou o país em julho de 2007. “É preciso saber que indústrias exploram a mão-de-obra barata haitiana, cujos produtos são exportados para o mercado dos EUA, assegurando imensos lucros que não se revertem em favor do povo. As casas construídas somente com areia, a ausência de hospitais, a falta de luz e água&#8230; tudo isso vem de antes do terremoto”, afirma.</p>
<p><strong>Pobreza extrema</strong></p>
<p>Atualmente, 80% dos haitianos vivem abaixo da linha de pobreza, sendo que 54% se encontram na extrema pobreza. A mortalidade infantil é de cerca de 60 mortes para cada mil nascimentos (no Brasil, a proporção está em torno de 22 para mil), a expectativa de vida é de 60 anos e o analfabetismo atinge 47,1% da população.</p>
<p>Além disso, o país sofre com a falta de infra-estrutura e indústria nacional. As estradas são bastante precárias, assim como as áreas de energia, telecomunicações e transporte. Dois terços dos haitianos dependem da agropecuária para sobreviver, enquanto apenas 9% trabalham em fábricas, em sua maioria nas chamadas maquiladoras, unidades especializadas em produção de manufaturados para exportação que se utilizam de mão-de-obra barata. “Durante o ano de 2009, percorremos todo o Haiti. Nossa brigada percorreu dez departamentos e conhecemos a situação de pobreza em que vive a imensa maioria da sociedade haitiana”, relata José Luis Patrola, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina, que atua com as organizações camponesas do país.</p>
<p>Triste e estranha realidade para uma nação que foi a segunda das Américas a se tornar independente (da França) e a primeira a abolir a escravidão, em 1804. Ou seja, que tinha tudo para oferecer uma vida digna para seus habitantes.</p>
<p><strong>Construção histórica</strong></p>
<p>“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade. Isso após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola”, explica Mário Maestri, historiador e professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.</p>
<p>Segundo ele, a partir de então, o Haiti passou a ser temido pelos EUA, pois poderia servir como exemplo aos escravos estadunidenses. Assim, o país passou a “ser objeto de bloqueio quase total, desde seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas e americanas independentes. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França. Conheceu nas décadas seguintes intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semi-colônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvaliers, Papa-Doc e seu filho [entre 1957 e 1986]”.</p>
<p>De acordo com Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), o Haiti não é uma exceção na região em que se encontra, mas um caso extremo da dominação imposta pelos países centrais do capitalismo. Assim, para ele, “atribuir seus males à incapacidade da sua população, descendente de escravos forçados a trabalhar na ilha pelos colonialistas franceses, é um conceito abertamente racista. A classe dominante, ela sim, é corrupta até a medula. Se chegar ajuda para o governo local, vão roubar, para vender e chantagear a população”.</p>
<p><strong>Casas amontoadas</strong></p>
<p>Além da pobreza, outro fator vem sendo apontado como potencializador dos efeitos do terremoto, embora ambos estejam fortemente vinculados: a grande quantidade de pessoas vivendo nas cidades (especialmente na capital, Porto Príncipe) em casas amontoadas e construídas precariamente, o que fez com que desabassem mais facilmente. Segundo Patrola, o desastre deixou evidente a precaridade do sistema urbano no Haiti. “Porto Príncipe e as favelas de Cité Soleil e Bel-air foram construídas de forma espontânea com a ausência de recursos mínimos de construção civil. Isso potencializou a destruição”.</p>
<p>Aqui, outra triste e estranha realidade: como se explica que um país cuja agricultura representa 28% do PIB (no Brasil, esse índice é de 7%) possua um índice de êxodo rural tão acentuado e tenha 47% de sua população vivendo na zona urbana?</p>
<p>“Pela eliminação das culturas agrárias locais pelos produtos importados, inclusive os das famosas &#8216;ajudas internacionais&#8217;. O subdesenvolvimento eliminou as florestas locais, pois o carvão é quase a única fonte de energia no interior. Em 1970, o Haiti era quase auto-suficiente em alimentação, hoje importa 60% do que come”, responde Osvaldo Coggiola. Segundo dados da ONU, entre 2005 e 2010, a população das cidades haitianas cresceu 4,5% por ano.</p>
<p><strong>Migração</strong></p>
<p>O historiador Mário Maestri explica que a revolução de 1804 teve como consequência a divisão dos latifúndios existentes em lotes familiares, que retomaram as tradições camponesas africanas, proporcionando uma independência alimentar. No entanto, “as intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil. Levantes camponeses foram duramente reprimidos, para reconstituir a grande propriedade”, diz.</p>
<p>Patrola, da brigada da Via Campesina no Haiti, responsabiliza ainda as políticas neoliberais mais recentes pelo “desmonte” do campo. “A abertura comercial está destruindo a agricultura haitiana. O Haiti é o quarto importador de arroz dos Estados Unidos”, diz.</p>
<p>O resultado de todo esse processo vem sendo uma grande migração para a cidade. E hoje, de acordo com Maestri, as enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão-de-obra extremamente barata para as indústrias maquiladoras que se estabeleceram no Haiti.</p>
<p>*Artigo publicado originalmente no jornal Brasil de Fato</p>
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		<title>Limited Compassion for Haiti</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 17:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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Justin Podur //
Everyone agrees that the Haiti earthquake is a serious situation. Serious enough for the US to send thousands of Marines, to take over the airport, to suspend Haiti&#8217;s sovereignty and take over the operation. Serious enough to unify the bitter partisan divide and put Bush, Clinton, and Obama together to raise funds. Serious [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-660" title="terremoto aeroporto" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-aeroporto.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Justin Podur //</p>
<p>Everyone agrees that the Haiti earthquake is a serious situation. Serious enough for the US to send thousands of Marines, to take over the airport, to suspend Haiti&#8217;s sovereignty and take over the operation. Serious enough to unify the bitter partisan divide and put Bush, Clinton, and Obama together to raise funds. Serious enough for benefit concerts and the invention of new forms of philanthropy, where people can donate through their cell phones. But the Haiti earthquake is apparently not all that serious:</p>
<p>1. It&#8217;s not serious enough to give undocumented Haitians a full amnesty. Yes, it was serious enough to give them Temporary Protected Status (TPS), which they&#8217;d been asking for for years, so that they can send back money legally and so they&#8217;re not in danger of being deported back to their re-devastated country. But they still have to pay $470 dollars for registering (every dollar of which could have gone to Haiti – which adds up to millions of dollars if more than a few thousand register and pay the fee), and after their 18 month grace period ends they will be in the system and easier to deport than they were before registering.</p>
<p>2. It&#8217;s not serious enough for public money. 200,000 people dead and millions homeless is a tragedy, but one approximately 30,000 times less serious than the Iraq war ($100 million for earthquake relief, $3 trillion for the Iraq war) and 40,000 less serious than the $4 trillion bank bailout. For those crises, the treasury magically opens, the money magically appears in the accounts, the public debt grows, and the taxpayers can pay later. For an earthquake or a tsunami, we rely on people&#8217;s generosity, and put together star teams to beg for money on behalf of the victims.</p>
<p>3. It&#8217;s not serious enough to let Aristide return. In times like these, playing politics is frowned upon, right? But playing politics to prevent a popular leader from returning to his own country after being forced into exile isn&#8217;t. Aristide&#8217;s kidnapping and the 2004 coup was a special humiliation inflicted on Haiti, his continuing exile a continued insult. This earthquake is not serious enough to stop that insult.</p>
<p>4. It&#8217;s not serious enough to pay Haiti back the $22 billion it&#8217;s been owed by France since the money was extorted by a blockade. The story is old and much repeated but deserves to be repeated again. When Haiti became independent in 1804 through a revolt of the slaves, France used a naval blockade to force the new country to pay its colonial master compensation for the property the Haitians &#8220;stole&#8221; &#8211; the property being the value of the slaves themselves. The indemnity, 150 million francs at the time, stopped the country from being able to rebuild after the devastation of the war of independence. When the international community was starving Haiti to death from 2001-2003, Aristide began a campaign to say – okay, if aid is blocked and loans are blocked, forget those, just give us our money back. 150 million francs in 1804 makes about $22 billion today. At that point, the machinations to overthrow Aristide began in earnest.</p>
<p>Before too long, as the security and looting stories rise in prominence, opinion pieces will appear about the ingratitude of Haitians. As donations level off, analyses will discuss compassion fatigue. These would be better informed by being a little less oblivious to the limits of governmental compassion for Haiti.</p>
<p><em>* Justin Podur is a Toronto-based writer. He visited Haiti in 2005. His blog is www.killingtrain.com</em></p>
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		<title>Eugênio Bucci avalia como a mídia brasileira cobre o Haiti</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 00:06:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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Um diálogo com o jornalista e professor Eugênio Bucci sobre a cobertura da tragédia. Confira a entrevista: – Desde a antiguidade, tragédias provocam, além de horror e temor, fascínio. Tempestades são divindades. Acidentes são observados com avidez. Um corpo lançado da janela na calçada entretém a multidão. A tsunami mata 200 mil pessoas mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: x-small;"><img class="alignnone size-full wp-image-641" title="Bus Full of People Leaves Port Au Prince" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-estrada.jpg" alt="" width="500" height="333" /></span></div>
<p>Um diálogo com o jornalista e professor Eugênio Bucci sobre a cobertura da tragédia. Confira a entrevista: – Desde a antiguidade, tragédias provocam, além de horror e temor, fascínio. Tempestades são divindades. Acidentes são observados com avidez. Um corpo lançado da janela na calçada entretém a multidão. A tsunami mata 200 mil pessoas mas o avanço do mar é mesmerizante. O visual de guerra é objeto de culto. Você vê isto também nas imagens que vêm do Haiti? </em></div>
<div><em>– Eu vejo isso em todo lugar, em toda foto na banca, na internet, na TV. Até mesmo o deputado com dinheiro na meia se converte em vulcão mesmerizante (superpalavra, essa). O perverso, o mórbido, o familiar que é ao mesmo tempo estranho e repulsivo (ominoso), aparece a toda hora, e não é isso que diferencia uma cobertura da outra: neste aspecto, todas as coberturas são iguais, ainda que a mais recente sempre nos assombre com a impressão de que exagerou mais na dose. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Que exagero, ainda que reiterativo dessa tendência humana, há na atual cobertura? </em></div>
<div><em>– A quantidade. O terremoto do Haiti foi um terremoto na paginação dos jornais e telejornais. Não condeno nem critico essa overdose de imagens chocantes. As dezenas de milhares de mortos, o horror das cenas, justificam-na. Há o recurso espetacular em todas as coberturas, e uma de suas características estruturais é essa, a dose sempre mais forte. Por isso a sensação de não saber onde iremos parar. Mas no caso da cobertura do Haiti, além do espetáculo, há um vetor solidário que prevalece. Não solidário no sentido de caridoso, mas de vibrar junto, transmitindo ao público o que é a carga do drama humano vivido pelas pessoas que lá estão. Pense bem: a solidariedade, desta vez, atravessa as fronteiras nacionais e acolhe os haitianos como brasileiros. Em parte porque há brasileiros que trabalham lá, militares morreram, Zilda Arns morreu, um pouco do Brasil foi ceifado pela tragédia. Porém, muito mais que isso, há uma inclusão do Haiti no imaginário pátrio. Caetano foi profético: o Haiti é mesmo aqui. E a solidariedade que sentimos em relação aos haitianos não é diferente da que sentimos em relação às vítimas de tragédias brasileiras. Há sensacionalismo, mas há profissionalismo, bravura, e não falamos de bravura em missão de guerra, mas em missão de paz. Em tanto sofrimento, há um dado de beleza. E é essa a matriz daquilo que você falou: o retrato da desgraça nos agride e inebria, mas estamos também inebriados pela possibilidade de que algo pode ser feito em prol dos haitianos. É sintomático que, aqui e ali, estamos discutindo política, história, sobre as soluções necessárias para que o país ultrapasse o seu estado atual de vulnerabilidade, de desproteção, de desamparo total. E isso é um dado positivo. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Trata-se de um tipo de convergência entre entretenimento e utilidade? O show, sim, mas politicamente correto, unindo os &#8220;melhores&#8221; dos mundos? </em></div>
<div><em>– Não, de modo algum. Show politicamente correto, pelo amor de Deus, isso é cerimônia de entrega do Oscar! É verdade que muito telejornal tenta chegar lá, mas não é disso que falo aqui. Nem de convergência utilitarista, ou do entretenimento utilitário. </em></div>
<p><em>Em resumo, essas tintas mais escalafobéticas do que chamam de espetacularização, embora eu também não goste de palavras terminadas em &#8220;zação&#8221;, comparecem a tudo: aos outdoors, aos anúncios de rádio, de TV, às manchetes de jornal. A cobertura do Haiti está dentro disso. Faz parte da mesma gramática, do mesmo modelo. </p>
<p>Surpreendente seria se ela se diferenciasse. Ela segue a lógica geral. Daí que, dentro da lógica geral, ela se diferencia não por ser mais ou menos espetacular, mas por apontar uma direção que põe em relevo os direitos fundamentais, a solidariedade, a justiça social. É como se o Haiti ficasse no Brasil. Ao mesmo tempo, é como se, aos poucos, a imprensa se abrisse à evidência de que pertencemos a uma comunidade cujos contornos são redondos como o planeta, e não recortados como as fronteiras políticas entre as nações. </p>
<div><em>– Ou seja, se não é puramente circunstancial, a História não acabou e há uma mudança de matriz em curso. </em></div>
<div><em>– Não. Não acredito em nenhuma mudança de matriz futura. A tendência é o aprofundamento disso que estamos chamando precariamente aqui de &#8220;matriz do espetáculo&#8221;. O Haiti, nesse sentido, é um <em>reality show</em> mais <em>hardcore</em>. Também não acredito em mudança de matriz no que se refere à atitude da comunidade internacional em relação ao Haiti. Apenas penso que os jornalistas brasileiros, a despeito de todos esses apelos impositivos do sensacionalismo, têm conseguido trazer até nós alguns relatos e algumas imagens autênticas, verazes. De resto, estaremos no meio desse turbilhão cada vez mais &#8220;espetaculoso&#8221;, sob doses mais intensas, desafiando os limites do entorpecimento do organismo. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Então há uma mudança de matriz! Do contrário, qual a importância de não sucumbir? Não há aí um paradoxo? </em></div>
<div><em>– A importância disso é que a nossa imprensa vai tecendo, aos poucos, uma teia de pertencimento ao imaginário nacional que inclui o Haiti. Os haitianos estão sendo tratados quase como se fossem brasileiros. E nós não vemos contestações ao fato de o Brasil destinar recursos ao Haiti. Não há sinais de chauvinismo. Não creio que isso seja circunstancial. Creio que estamos passando por uma expansão, para além dos limites nacionais, da capacidade de solidariedade do imaginário brasileiro. Retomo o que já disse antes: claro que existe um megashow em torno das cenas mais chocantes, mas, desta vez, não se trata apenas disso. Além do espetáculo, há um impulso solidário, generoso. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Mas, se não é chauvinismo e nem é circunstancial, o Brasil está inaugurando um novo paradigma. </em></div>
<div><em>– Não posso dizer quanto a outros países. Mas há esse dado novo no comportamento do imaginário brasileiro. Ainda não há pesquisas sobre isso, mas, pelo que se pode intuir a partir dos meios de comunicação, inclusive na internet, temos uma novidade aí. A solidariedade vai se internacionalizando no Brasil. De dentro pra fora. Isso é muito interessante. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Será que, enfim, Zweig estava certo e o Brasil é o país do futuro? </em></div>
<div><em>– Essa é uma pergunta muito maliciosa, traiçoeira, perigosa. Mas, mesmo correndo todos os riscos de dizer isso, acho que o Brasil é, sim, um país que terá um papel central no futuro. E que já é, hoje, um dos lugares mais interessantes do mundo. Eu gosto muito disso aqui. Fora isto, queria dizer uma coisa mais, para fustigar esse pessoal que se refestela achando que é artífice do espetáculo, quando, na verdade, não passa de subproduto descartável do espetáculo. O apetite dessa tal &#8220;mídia&#8221; por uma catástrofe é insaciável. E não estamos (ainda) mudando a matriz. Essa &#8220;mídia&#8221; é mais ou menos como a caveira da velha canção de Alvarenga e Ranchinho. Ela sempre vai trocar o coveiro romântico por um defunto fresco. E sempre haverá defuntos frescos dando sopa. Os coveiros vão despencando pelo acostamento. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Por que você escreveu &#8220;mídia&#8221; entre aspas? </em></div>
<div><em>– Ponho entre aspas porque não gosto dessa palavra escrita assim, &#8220;mídia&#8221;. É um aportuguesamento da pronúncia inglesa de <em>media</em>, que é o plural de <em>medium</em>, meios. Não sei por que a gente não fala simplesmente &#8220;meios&#8221;. Já estaria bom demais. Além disso, há uma indistinção que me incomoda abrigada sob a palavra &#8220;mídia&#8221;. Se &#8220;mídia&#8221; são os meios, ela abarca um universo muito maior que a imprensa. Inclui publicidade, ficção, games. E, no entanto, muita gente usa &#8220;mídia&#8221; como sinônimo de jornais. Por isso, quando pronuncio esse termo, procuro me cercar de algum cuidado, nem que seja um par de aspas. Mas voltando ao viés positivo: veja que, na cobertura da TV sobre a &#8220;agressividade&#8221; da ajuda americana, os haitianos aparecem em on criticando as intenções dos EUA. Dizem que o plano americano é controlar – e não ajudar – o país. Isso é mais um dado novo. A discussão política aparece na TV, as contradições, e isso não era comum. </em></div>
<p><em></p>
<div><em>– Então, Eugênio, insisto: haveria uma mudança de matriz! </em></div>
<div><em>– Bem, Arnaldo, se você quiser chamar isso de mudança de matriz, então há. Mas não creio. O que eu vejo é uma evolução da mesma matriz. Não estamos saindo da lógica do espetáculo, mas ela está se complexificando. Há mais contradições dentro dela do que sonhava a filosofia dos anos 60 e dos anos 80. </em></div>
<p><em>[Eugênio Bucci é jornalista, escritor, teórico da ética na comunicação e professor de jornalismo na ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP. Entrevista publicada no jornal O Globo no domingo, 24/01/10] </p>
<p></em> </p>
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<p></em> </p>
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		<title>O Haiti antes e depois do terremoto</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 16:06:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[
Federico Neiburg*
O Brasil é um ator no drama haitiano desde 2004, quando passou a chefiar a parte militar da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah). A responsabilidade do país na conjuntura atual é ainda mais importante. Para discuti-la seriamente é crucial ter um diagnóstico da situação, conhecer o Haiti de antes do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-633" title="terremoto refugiados" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-refugiados.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Federico Neiburg*</p>
<p>O Brasil é um ator no drama haitiano desde 2004, quando passou a chefiar a parte militar da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah). A responsabilidade do país na conjuntura atual é ainda mais importante. Para discuti-la seriamente é crucial ter um diagnóstico da situação, conhecer o Haiti de antes do terremoto.</p>
<p>Três elementos que o drama atual põe em evidência de forma exacerbada não são novidade: o peso das forças estrangeiras (outros países, entidades multilaterais, ONGs), a denúncia da ausência do Estado haitiano, e a necessidade urgente de ajuda à população.</p>
<p>A relação entre estes elementos constituiu um sistema de produção de pobreza e desigualdade que se retroalimenta há décadas. Sem levar isso em consideração, o debate público sobre o futuro do Haiti estará mal colocado e as políticas da comunidade internacional (dos governos, das agências multilaterais e da sociedade civil), por mais bem intencionadas que sejam, correm o risco, mais uma vez, de fracassar ou de atingir objetivos limitados e pouco sustentáveis, contribuindo para a reprodução do drama humano que a fúria da natureza parece ter potenciado a níveis dantescos.</p>
<p>Sabe-se que a crise haitiana é de longa data e que ela se agravou de forma notável após o fim da ditadura dos Duvalier (1957-1986). Muitas das imagens veiculadas pela mídia para descrever a tragédia destes dias poderiam ser de antes do terremoto. Porto Príncipe já era uma cidade quase sem eletricidade e sem água. O abastecimento alcançava uma porção ínfima da população, só alguns bairros, poucas horas por dia, alguns dias da semana. A crise alimentar já era gravíssima.</p>
<p>A concorrência entre as forças externas que intervêm no país tampouco é novidade. Já desde o século XIX o Haiti teve um importante papel na disputa entre potências como França, Espanha, Inglaterra e EUA. A França proclama até hoje “laços históricos” com a antiga colônia.</p>
<p>Os EUA, que já ocuparam o Haiti entre 1915 e 1936, e na década de 1990, até hoje, mais de 20 anos após o fim da Guerra Fria, mantêm naquele miserável país uma das maiores embaixadas do mundo. Com argumentos que vão da importância da imigração haitiana nos EUA até razões de “segurança nacional”, quem se encarregava de cuidar do Haiti no governo americano era o Departamento de Segurança Interior e não o Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores — como se o Haiti fosse parte do território americano.</p>
<p>Antes do terremoto, estava claro que, às vezes de forma coordenada e muitas outras em tensa concorrência, duas forças político-militares atuavam no Haiti: a ONU e os EUA.</p>
<p>Nas centenas de instituições humanitárias, como nas instâncias do governo e na infinidade de associações comunitárias, havia no Haiti milhares de pessoas bem intencionadas, generosas, solidárias, que desenvolviam ideias ousadas, aproveitando a energia fantástica da população e, nos últimos anos, a grande novidade da estabilidade política e da redução da violência — não só devido à presença da Minustah, mas também às ações de organizações da sociedade civil, inclusive do exterior, como o Viva Rio.</p>
<p>A onda de solidariedade criada nestes dias está ancorada em décadas de trabalho comunitário.</p>
<p>O sismo destruiu vidas e muitas iniciativas e projetos bem-sucedidos, agravando a penúria causada pelo desastre.</p>
<p>Diferentemente do estereótipo negativo que pesa sobre o Haiti há pelos menos 200 anos (quando os escravos de Saint Domingue ousaram desafiar os cânones da época, declarandose sujeitos políticos autônomos e fundando a nação), e ao contrário das dificuldades evidentes em organizar a vida política nacional e a administração pública de forma transparente e eficiente, a população sempre esteve ansiosa por construir formas alternativas de vida coletiva.</p>
<p>Os haitianos têm uma riquíssima tradição de organização comunitária: comitês, associações, redes de famílias extensas garantem a sobrevivência das pessoas, o suprimento de alimentos, o funcionamento de escolas. É esse caldo social da solidariedade que permite compreender como não há mais violência diante da catástrofe de hoje, das pilhas de cadáveres nas ruas, das centenas de milhares de desaparecidos, desabrigados e feridos, da escassez de produtos de primeira necessidade, da demora na chegada da ajuda humanitária.</p>
<p>A dor infinita produzida por esta catástrofe exige pensar seriamente o futuro do Haiti. Boa parte das razões do drama haitiano que o terremoto colocou em escala incomensurável estava presente antes. É preciso aceitar que, neste momento, a vida haitiana não está organizada segundo o paradigma do Estado soberano. Isso obriga a definir novas atribuições da comunidade internacional, criando órgãos executivos com poder de decisão. Mas não se trata de forma alguma de negar o direito do povo haitiano a gerir seu próprio futuro. Ao contrário, as associações e as lideranças políticas e comunitárias têm de participar do desenho de formas novas de gestão da vida coletiva. A avaliação das ações passadas e o plano das ações futuras da Minustah, do governo brasileiro e da sociedade civil do nosso país no Haiti precisam de uma discussão clara e sem hipocrisias sobre o que está em jogo nesta hora.</p>
<p><strong>FEDERICO NEIBURG</strong> é antropólogo, pesquisador do CNPq, professor no Programa de PósGraduação em Antropologia Social, Museu Nacional, UFRJ. Artigo publicado no jornal O Globo no dia 24/01/2010.</p>
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		<title>Naomi Klein: Haitians will shape their future?</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 19:56:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[By Newsweek

Bottom feeders follow closely on the heels of disaster. After Hurricane Katrina, private security contractors landed in New Orleans, hired to guard against looters. After the Indian Ocean tsunami, governments in Thailand, Sri Lanka, India, Indonesia, and the Maldives pushed aside coastal villages to make way for resort developers. That kind of profiteering is [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>By Newsweek</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-598" title="terremoto prédio" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-prédio.jpg" alt="" width="500" height="335" /></p>
<p>Bottom feeders follow closely on the heels of disaster. After Hurricane Katrina, private security contractors landed in New Orleans, hired to guard against looters. After the Indian Ocean tsunami, governments in Thailand, Sri Lanka, India, Indonesia, and the Maldives pushed aside coastal villages to make way for resort developers. That kind of profiteering is standard fare. But is it organized? That&#8217;s what author Naomi Klein says in her book <em><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/B001PHTPDU/?tag=nwswk-20" target="_blank"><em>The Shock Doctrine</em></a></em>, arguing that &#8220;disaster capitalists&#8221; take advantage of post-crisis chaos to push through a set of free-market reforms that further their own interests, rather than those of the victims. Is that the case in Haiti right now, even as rescue operations are still underway? NEWSWEEK&#8217;s Katie Paul chatted with Klein about what she—and the 20,000 people who have already joined the <a href="http://www.facebook.com/group.php?gid=292737727221" target="_blank">No Shock Doctrine for Haiti</a> group on Facebook—are watching out for this time around. Excerpts:</p>
<p><strong>You&#8217;ve noted in <em>Shock Doctrine</em> how disasters like this earthquake are perfect opportunities for so-called disaster capitalists to move in and profit. Are you seeing evidence of that so far in Haiti?<br />
</strong>The shock doctrine is the use of disasters to avoid democracy—using the state of dislocation following a disaster to say that people aren&#8217;t able to make decisions, so someone else needs to do it for them. But that means policies are pushed through very quickly—unpopular policies that were often on a wish list for elites anyway, but that can suddenly be implemented because people are either traumatized or literally wiped out. In the case of Haiti, the Heritage Foundation didn&#8217;t even wait 24 hours before they called for the Obama administration to reform Haiti&#8217;s economy. They also suggested that George W. Bush be appointed and, lo and behold, he was appointed the next day. So they appear to have an audience.</p>
<p><strong>Wait, isn&#8217;t that standard—<br />
</strong>Right, but that idea was first floated on the Heritage Foundation Web site.</p>
<p><strong>—that he&#8217;s appointed alongside President Clinton?<br />
</strong>It&#8217;s unclear who Bill Clinton is working for. Is it the U.N., the Obama administration, his own foundation? We&#8217;ve already heard talk of a <a href="http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5iO4vhMiyqrJtUybnX8jrHogRD4Bw" target="_blank">Marshall Plan for Haiti</a>—by Haiti&#8217;s largest foreign investor, a cell-phone company, at a meeting in Florida with Bill Clinton. Now, they may have very good plans. But the point is that Haitians are not being included in the planning.</p>
<p><strong>Wouldn&#8217;t cell-phone service be important right away? Lack of communication is a big problem in the relief effort.<br />
</strong>Absolutely. When it comes to distributing aid, speed is of the essence. But it&#8217;s entirely inappropriate to be setting priorities that Haitians will have to live with for decades, like with this Marshall Plan. When it comes to rebuilding, speed can be very damaging—and can be an excuse for avoiding citizen participation. If there&#8217;s anything we know from New Orleans and Iraq, there needs to be transparency. I don&#8217;t usually do this, but I&#8217;ll quote John McCain: early on with Iraq, he said that Iraq is a big pot of honey and there are a lot of flies. Right now, Haiti is the pot of honey. Billions of dollars are going to be allocated for reconstruction. If we want to make sure that whatever gets built is what Haitians want built, then let&#8217;s lay down that principle now. Once contracts are handed out, there&#8217;s no going back.</p>
<p><strong>Are you actually seeing contracts being handed out already? It&#8217;s so early.<br />
</strong>There&#8217;s a huge amount of lobbying going on already. But there are really core questions about what Haiti&#8217;s postquake economy should look like. So, for example, the garment sector wants the new economy to give them shiny new export zones, tax breaks, public money to rebuild their factories—but we also know that they don&#8217;t pay taxes that build Haiti&#8217;s public sector, which is part of what deepened this disaster.</p>
<p><strong>In order for any of these big decisions to be truly representative of Haitian desires, wouldn&#8217;t they need to be made after democratic elections? Given the damage, it seems like that would be a long way off.<br />
</strong>That should be built into the cost of reconstruction. We&#8217;re months away from any actual rebuilding, so there&#8217;s no need to hand out contracts now. In fact, I think there should be a freeze on contracts until there are mechanisms in place to allow Haitians to participate in a national reconstruction plan. We&#8217;re talking about designing a country. It isn&#8217;t about rebuilding it exactly as it was, because everyone would agree that&#8217;s unacceptable.</p>
<p><strong>How can reconstruction be done without replicating the existing power structures, which have been so problematic for so long?<br />
</strong>There should be line items for community-development plans, even referendums. And no contract should be handed out without guarantees that the work will be done by Haitians, at a living wage. People who are donating money right now should be asking a lot of questions about how their money is being spent.</p>
<p><strong>Can you give an example of a country that has managed a disaster economy well?<br />
</strong>The community-based responses to the tsunami in Thailand were amazing. Communities set up councils, then worked with architects and planners who actually asked them they wanted their own communities to look like. So often, there&#8217;s an assumption that a 22-year-old from the Kennedy School knows more about what&#8217;s best for a country than someone in their 60s who&#8217;s lived there his entire life. But that&#8217;s an infantalization of a country.</p>
<p><strong>You&#8217;ve noted that the relief effort so far has been overly militarized. Given that the military is responsible for coordinating much of the aid, why do you think that&#8217;s inappropriate?</strong><br />
It&#8217;s a self-fulfilling prophecy. Every day that people are not receiving food, it becomes harder to maintain order. What we&#8217;re hearing from U.N. and aid agencies is that they&#8217;re afraid of going out without military escort. And what we just saw during the quake is that some foreign investors had their own parallel privatized disaster infrastructure. Citigroup sent in private-security SWAT teams equipped with medical supplies and satellite phones to save their people, but not their neighbors. That&#8217;s dehumanizing. Aid should be prioritized over security. Any aid agency that&#8217;s afraid of Haitians should get out of Haiti.</p>
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		<title>Haïti à l’épreuve du choc</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 10:45:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Jean-Louis Bianco et Nicolas Cadène

Le tremblement de terre que vient de subir Haïti est abominable et l’aide internationale indispensable. Mais à la faveur de cette crise, les pays donateurs pourraient appliquer à l’île une « thérapie de choc » revenant à la mettre sous tutelle et à y instaurer un nouveau colonialisme. « Il faut confier aux [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Jean-Louis Bianco et Nicolas Cadène</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-583" title="criança terremoto" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/criança-terremoto.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Le tremblement de terre que vient de subir Haïti est abominable et l’aide internationale indispensable. Mais à la faveur de cette crise, les pays donateurs pourraient appliquer à l’île une « thérapie de choc » revenant à la mettre sous tutelle et à y instaurer un nouveau colonialisme. « Il faut confier aux Haïtiens eux-mêmes la reconstruction de leur pays », plaident Jean-Louis Bianco, ancien ministre, député et président du conseil général des Alpes-de-Haute-Provence, et Nicolas Cadène, membre du conseil national du Parti socialiste.</p>
<p>Le tremblement de terre que vient de subir Haïti est abominable et l’aide internationale indispensable. Mais à la faveur de cette crise, les pays donateurs pourraient appliquer à l’île une « thérapie de choc » revenant à la mettre sous tutelle et à y instaurer un nouveau colonialisme. « Il faut confier aux Haïtiens eux-mêmes la reconstruction de leur pays », plaident Jean-Louis Bianco, ancien ministre, député et président du conseil général des Alpes-de-Haute-Provence, et Nicolas Cadène, membre du conseil national du Parti socialiste.</p>
<p>pave.jpgCe que vient de subir Haïti, un des pays les plus pauvres de la planète, est un désastre considérable qui constitue également un choc psychologique d’une extrême violence pour les Haïtiens.</p>
<p>Au-delà d’une gourmandise malsaine de nos médias et d’un concours des images les plus pénibles, il est essentiel d’aller plus en avant sur la situation concrète que vit et va désormais vivre ce peuple antillais, le premier à s’être émancipé des colons blancs le 1er janvier 1804.</p>
<p>La destruction tant matérielle qu’organisationnelle et structurelle de cet État de 10 millions d’habitants amène à cette réflexion sur l’avenir alors que les puissances occidentales organisent l’aide internationale d’une manière qui n’est pas toujours idéalement transparente.</p>
<p>Disons-le clairement : il y a un risque de « privatisation », de dérégulation et de néo-colonialisme accru que pourrait subir Haïti en plus du désastre naturel dont l’île a été victime et, surtout, à cause de ce désastre.</p>
<p>La mise à profit par certains gouvernements et groupes privés occidentaux d’une catastrophe naturelle n’est pas nouvelle. Certains économistes l’ont relevé à plusieurs reprises, la journaliste Naomi Klein l’a théorisé avec son ouvrage La Stratégie du choc.</p>
<p>Après tout choc national, les citoyens deviennent plus enclin à suivre n’importe quel leader qui prétend les protéger. Ces désastres placent les populations dans un tel état d’hébétude qu’ils deviennent des « opportunités » pour quiconque souhaite favoriser des réformes économiques extrêmement rigoureuses qui n’auraient pas été admises en temps normal. Elles sont généralement imposées très rapidement avant que les citoyens ne puissent se ressaisir.</p>
<p>Milton Friedman, souvent considéré comme un partisan de ces « traitements de choc », déclarait lui-même : « Seule une crise réelle ou imaginaire peut engendrer un changement profond » (Capitalisme et liberté, 1971).</p>
<p>Nous savons par exemple que le tsunami de 2004 a permis des expropriations massives de populations vivant sur les côtes d’Asie du Sud-est, des libéralisations et dérégulations commerciales (en échanges d’aides occidentales), des constructions de complexes hôteliers occidentaux, etc. À l’époque nous nous étions émus de la destruction par la nature de leurs villages de pêcheurs, mais nous avons détournés les yeux quand à la place furent construits des hôtels après que les populations aient été déplacées.</p>
<p>Nous savons que l’ouragan Katrina qui frappa la Nouvelle Orléans en 2005 a permis là encore des expropriations massives, des privatisations de services publics et de l’éducation et des reconstructions privées orientées, etc.</p>
<p>Quelques heures après le séisme à Haïti, The Heritage Foundation (un des principaux think-tanks américains, néo-conservateur et influent sur le Congrès actuel) écrivait sur son site Internet :</p>
<p>« Au-delà de l’assistance humanitaire immédiate à apporter, les réponses américaines au terrible séisme de Haïti offrent d’importantes opportunités de reprise en main du long dysfonctionnement gouvernemental et économique haïtien, tout en améliorant l’image américaine dans la région ».</p>
<p>De son côté, Nicolas Sarkozy proposait une conférence à Bruxelles sur la reconstruction du pays, sans même en parler en amont avec les responsables politiques haïtiens qui ont survécu au séisme.</p>
<p>Les propos de The Heritage Foundation peuvent sembler modérés mais laissent bien entendre le souhait de réformer l’économie du pays antillais dans le sens des seuls intérêts privés occidentaux.</p>
<p>Rappelons que si les causes de la pauvreté haïtienne sont multiples, les responsabilités occidentales sont loin d’être nulles, notamment sur le surpeuplement de Port-au-Prince, et que la corruption généralisée et les « aides financières » du Nord (sous conditions drastiques) ont réduit à néant toute agriculture vivrière sur l’île.</p>
<p>En octobre dernier, Camille Chalmers, directeur exécutif de la PAPDA (Plateforme haïtienne de plaidoyer pour un développement alternatif), dénonçait (comme d’autres associations haïtiennes) la politique du gouvernement haïtien consistant à se plier aux injonctions des organisations internationales et à favoriser les entrepreneurs étrangers et les importateurs de produits alimentaires : « Depuis les années 80 les stratégies néolibérales adoptées par les gouvernements ont détruit l’agriculture du pays. On est aujourd’hui le troisième importateur du riz américain avec plus de 400.000 tonnes métriques par an. Pourtant, chaque année 75.000 personnes laissent les zones rurales &#8211; absentes des débats de la classe politique &#8211; pour rejoindre la capitale. De la sorte, la dépendance alimentaire du pays ne fait que s’agrandir. Les politiques macro-économiques soutenues par Washington, l’ONU, le FMI et la Banque Mondiale ne se soucient nullement de la nécessité du développement et de la protection du marché national. Les seules préoccupations de ces politiques est de produire pour l’exportation vers le marché mondial ».</p>
<p>Aujourd’hui, les paysans manquent de terres cultivables, d’outils, d’encadrement dans la commercialisation des produits. Comme le rappelle le CADTM (Comité pour l’annulation de la dette du tiers-monde), dans la fertile région du Nord-Est, le béton a remplacé les cultures, notamment avec la construction d’une zone franche pour la fabrication de produits textiles destinés au marché des États-Unis. Le paradoxe est que, non loin, existe des terres moins fertiles où ces industries auraient pu s’installer sans porter préjudice aux plaines agricoles fertiles.</p>
<p>Aujourd’hui, d’un point de vue cynique, la situation est donc particulièrement propice pour diriger politiquement et économiquement cette République dans le sens des seuls intérêts américains, français et de quelques grandes entreprises du Nord.</p>
<p>Il est d’ailleurs étonnant de constater, comme le fait Daniel Schneidermann sur le site Arrêt sur images, avec quelle rapidité l’image de Haïti se dégrade dans certains médias. Après la compassion avec les victimes, ce sont les « pillages » ou « vols de marchandises » qui sont souvent mis en avant dans la presse internationale. Cela pourrait être assez utile à ceux qui déclareront plus tard : &#8220;ils sont incapables et irresponsables&#8221;.</p>
<p>Comme le rappelle le journal La Croix, plusieurs responsables associatifs ont été choqués par les déclarations de dirigeants sur la nécessité de mettre « l’île sous tutelle internationale », au nom de la « reconstruction ». D’autant qu’il existe des ingénieurs, médecins et universitaires compétents à Haïti, la plupart formés à l’étranger d’ailleurs.</p>
<p>L’ancien président de Caritas France déclarait récemment que « le pays ne [devait] pas être placé sous protectorat ».</p>
<p>De son côté, le directeur des opérations de Médecins sans frontières (MSF) affirmait avec raison que « les églises, les associations, les comités de quartier form[aient] le tissu social permanent d’une nation » que « dans la rue, l’efficacité des secours [était] d’abord haïtienne » et enfin que « la France et les États-Unis [devaient] remettre les institutions haïtiennes en route (&#8230;) sans parler de mise sous tutelle » ni « porter atteinte à la souveraineté de l’État » car « c’est une source de tensions entre les habitants et la communauté internationale. »</p>
<p>D’autres dispositions que celles actuellement en cours auraient pu être prises.</p>
<p>Il est d’ailleurs étonnant de constater un tel déploiement militaire (déjà dénoncé par certains organisations dominicaines et qui ne se fait pas en simple soutien humanitaire) sur l’île Il n’est pas certain que les services publics haïtiens soient re-créés ou tout simplement créés à cette occasion, au contraire, ils pourraient être tout à fait privatisés. Il faut rapidement s’assurer de la transparence totale des transferts d’argent vers Haïti et les ONG œuvrant sur place.</p>
<p>Surtout, il faut confier aux Haïtiens eux-mêmes la reconstruction de leur pays, en garantissant leur souveraineté, en leur donnant les moyens de créer leurs propres structures sur place et leurs propres emplois (et non en faisant venir uniquement des entreprises extérieures avec des employés étrangers).</p>
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		<title>Haiti’s suffering is a result of calculated impoverishment</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 10:23:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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By Seumas Milne, para o The Guardian

There is no relief for the people of Haiti, it seems, even in their hour of promised salvation. More than a week after the earthquake that may have killed 200,000 people, most Haitians have seen nothing of the armada of aid they have been promised by the outside world. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>By Seumas Milne, para o The Guardian</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-568" title="escombros carrefour" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/escombros-carrefour.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>There is no relief for the people of Haiti, it seems, even in their hour of promised salvation. More than a week after the earthquake that may have killed 200,000 people, most Haitians have seen nothing of the armada of aid they have been promised by the outside world. Instead, while the <a title="US military has commandeered Port-au-Princes airport" href="http://www.guardian.co.uk/world/blog/audio/2010/jan/19/guardian-daily-podcast">US military has commandeered Port-au-Prince&#8217;s ­airport</a> to pour thousands of soldiers into the stricken Caribbean state, wounded and hungry survivors of the catastrophe have carried on dying.</p>
<p>Most scandalously, US commanders have repeatedly turned away flights bringing medical equipment and ­emergency supplies from organisations such as the World Food Programme and Médecins Sans Frontières, in order to give priority to landing troops. Despite the remarkable patience and solidarity on the streets and the relatively small scale of looting, the aim is said to be to ensure security and avoid &#8220;another Somalia&#8221; – a reference to the US ­military&#8217;s &#8220;Black Hawk Down&#8221; ­humiliation in 1993. It&#8217;s an approach that ­certainly chimes with well-­established traditions of keeping Haiti under control.</p>
<p>In the last couple of days, another motivation has become clearer as the US has launched a full-scale <a title="naval blockade" href="http://www.independent.ie/world-news/americas/us-ships-set-up-blockade-to-prevent-a-mass-exodus-2022667.html">naval blockade</a> of Haiti to prevent a seaborne exodus by refugees seeking sanctuary in the United States from the desperate aftermath of disaster. So while Welsh firefighters and Cuban ­doctors have been getting on with the job of ­saving lives this week, the 82nd Airborne Division was busy parachuting into the ruins of Haiti&#8217;s presidential palace.</p>
<p>There&#8217;s no doubt that more Haitians have died as a result of these shockingly perverse priorities. As Patrick Elie, former defence minister in the government of Jean-Bertrand Aristide – twice overthrown with US support – put it: &#8220;We don&#8217;t need soldiers, there&#8217;s no war here.&#8221; It&#8217;s hardly surprising if Haitians such as Elie, or French and Venezuelan leaders, have talked about the threat of a new US occupation, given the scale of the takeover.</p>
<p>Their criticisms have been dismissed as kneejerk anti-Americanism at a time when the US military is regarded as the only force that can provide the ­logistical backup for the relief effort. In the context of Haiti&#8217;s gruesome history of invasion and exploitation by the US and European colonial powers, though, that is a truly asinine response. For while last week&#8217;s earthquake was a natural ­disaster, the scale of the human catastrophe it has unleashed is man-made.</p>
<p>It is uncontested that poverty is the main cause of the horrific death toll: the product of teeming shacks and the absence of health and public infrastructure. But Haiti&#8217;s poverty is treated as some ­baffling quirk of history or culture, when in reality it is the direct ­consequence of a uniquely brutal ­relationship with the outside world — notably the US, France and Britain — stretching back centuries.</p>
<p>Punished for the success of its uprising against slavery and self-proclaimed first black republic of 1804 with invasion, blockade and a crushing burden of debt reparations only finally paid off in 1947, Haiti was occupied by the US between the wars and squeezed mercilessly by multiple creditors. More than a century of deliberate colonial impoverishment was followed by decades of the US-backed dictatorship of the Duvaliers, who indebted the country still further.</p>
<p>When the liberation theologist <a title="Aristide" href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/jan/18/aristide-haiti-mandate-recovery">Aristide</a> was elected on a platform of development and social justice, his challenge to Haiti&#8217;s oligarchy and its international sponsors led to two foreign-backed coups and US invasions, a suspension of aid and loans, and eventual exile in 2004. Since then, thousands of UN troops have provided security for a discredited political system, while ­global financial institutions have imposed a relentlessly neoliberal diet, pauperising Haitians still further.</p>
<p>Thirty years ago, for example, Haiti was self-sufficient in its staple of rice. In the mid-90s the IMF forced it to slash tariffs, the US dumped its subsidised surplus on the country, and Haiti now imports the bulk of its rice. Tens of thousands of rice farmers were forced to move to the jerry-built slums of Port-au-Prince. Many died as a result last week.</p>
<p>The same goes for the lending and aid conditions imposed over the past two decades, which forced Haitian governments to privatise, hold down the minimum wage and cut back the already minimal health, education and public infrastructure. The impact can be seen in the helplessness of the Haitian state to provide the most basic relief to its own people. Even now, new IMF loans require Haiti to raise electricity prices and freeze public sector pay in a country where most people live on less than two dollars a day.</p>
<p>What this saga translates into in real life can be seen in the stark contrast between Haiti, which has taken its market medicine, with nearby Cuba, which hasn&#8217;t, but suffers from a 50-year US economic blockade. While Haiti&#8217;s infant mortality rate is around 80 per 1,000, Cuba&#8217;s is 5.8; while nearly half Haitian adults are illiterate, the figure in Cuba is around 3%. And while 800 Haitians died in the hurricanes that devastated both islands last year, Cuba lost four people.</p>
<p>In her book <a title="The Shock Doctrine" href="http://books.guardian.co.uk/series/naomiklein">The Shock Doctrine</a>, Naomi Klein shows how natural disasters and wars, from Iraq to the 2004 Asian tsunami, have been used by corporate interests and their state ­sponsors to drive through predatory neoliberal ­policies, from ­radical deregulation to privatisation, that would have been impossible at other times. There&#8217;s no doubt that some would now like to impose a form of ­disaster ­capitalism on Haiti. The influential US conservative Heritage Foundation initially <a title="argued last week" href="http://www.naomiklein.org/articles/2010/01/haiti-disaster-capitalism-alert-stop-them-they-shock-again">argued last week</a> that the ­earthquake ­offered ­&#8221;opportunities to ­reshape Haiti&#8217;s long-dysfunctional government and ­economy as well as to improve the ­public image of the United States&#8221;.</p>
<p>The former president Bill Clinton, who wants to build up Haiti&#8217;s export-processing zones, appeared to contemplate something similar, though a good deal more sensitively, in an interview with the BBC. But more sweatshop assembly of products neither made nor sold in Haiti won&#8217;t develop its economy nor provide a regular income for the majority. That requires the cancellation of Haiti&#8217;s existing billion-dollar debt, a replacement of new loans with grants, and a Haitian-led democratic reconstruction of their own country, based on public investment, redevelopment of agriculture and a crash literacy programme. That really would offer a route out of Haiti&#8217;s horror.</p>
<p><em>This article was first published in <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/jan/20/haiti-suffering-earthquake-punitive-relationship">The Guardian</a> </em></p>
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		<title>&#8220;Wi No Kapab&#8221;: a ideologia americana no Haiti</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 19:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Bruno Garcez, para o Haiti.Org

Eles chegaram, como sempre chegam, e já tomaram conta de tudo e de todos, causando desconforto entre os demais, também como de praxe. Mas eles podem fazer isso? “Yes, they can”. Se fazem, é porque podem, ou melhor, porque são solicitados a fazê-lo, como frisou o assessor de Segurança Nacional [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Bruno Garcez, para o Haiti.Org</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-562" title="100119-F-4177H-1426" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/us-force-haiti.jpg" alt="" width="500" height="322" /></p>
<p>Eles chegaram, como sempre chegam, e já tomaram conta de tudo e de todos, causando desconforto entre os demais, também como de praxe. Mas eles podem fazer isso? “Yes, they can”. Se fazem, é porque podem, ou melhor, porque são solicitados a fazê-lo, como frisou o assessor de Segurança Nacional Denis McDonough.</p>
<p>O funcionário do Departamento de Estado lembrou que a PM do mundo só foi acionada depois que o presidente haitiano, René Preval, pediu que eles assumissem o controle da pista do aeroporto de Porto Príncipe.</p>
<p>Após o controle consentido do aeroporto, eles mandaram embora aviões do Brasil, da França e da Medecins Sans Frontiers, ao mesmo tempo em que distribuíam quantidades imensas de alimentos para a população desesperada. Queriam mostrar que são “good guys”, e também “bon bagays”, como dizem os locais. </p>
<p>Quando o cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, disse, em um “deslize”, que a tragédia que tirou dezenas de milhares de vidas era uma “boa desgraça”, talvez não estivesse expressando apenas uma impressão pessoal, mas falando em nome de mais gente&#8230;</p>
<p>Um Estado falido assolado por uma tragédia de proporções bíblicas assusta o “primo rico” ao norte por diversos motivos. Claramente, há o temor de que milhares de haitianos decidam enfrentar as ondas para chegar a Miami ou a qualquer outra cidade do país.</p>
<p>Além disso, ainda que pouco se tenha falado sobre o tema, um Estado já fragilizado e que vive uma situação algo similar à de ter sofrido uma hetacombe nuclear, seria pouco ou nada capaz de controlar quem cruza suas fronteiras.</p>
<p>O pânico e a paranóia foram acentuados após o ataque frustrado do jovem nigeriano que tentou detonar um avião em movimento, ao acionar explosivos presentes em sua roupa de baixo, o que pareceu provar que o terrorismo atual não respeita nem mesmo os espaços mais íntimos.</p>
<p>Há quem acredite que as ações dos mariners e afins que agora apinham o Haiti são movidas por boas intenções. Talvez, mas custo a que acreditar que tudo se limite a isso.</p>
<p>O que poderia ser uma oportunidade de ouro para que a comunidade internacional se unisse em torno de uma estratégia comum de reconstrução pode enveredar por um caminho muito pouco promissor.</p>
<p>O momento seria propício para buscar soluções ousadas e inovadoras no médio e longo prazo em áreas que vão da agricultura à arquitetura e de promover parcerias nestes setores entre profissionais locais e peritos e organizações internacionais.</p>
<p>Mas agora parece que quem dá as cartas são os homens de verde vindos do norte. O negócio deles é apostar nas “soluções simples” e de impacto imediato e paliativo &#8211; alimentos são distribuídos e as fronteiras são fechadas. Mas não é cogitada sequer uma melhoria duradoura para o Haiti e que impedisse um terremoto ou um furacão de pura e simplesmente dizimar milhares de pessoas.</p>
<p>E o que fazer? A história mostra que contra os norte-americanos a gritaria indignada tende a cair em ouvidos moucos. Eles podem pura e simplesmente agir como bem entendem? “Sim, nós podemos”, eles devem pensar. Ou, como se diz em kreole, “Wi No Kabap”.</p>
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