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	<title>HAITI.ORG.BR &#187; Notícias</title>
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	<description>Jornalismo, Direitos Humanos e Solidariedade</description>
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		<title>Tropas dos Estados Unidos no Haiti: a &#8220;ajuda militarizada&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 14:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[
A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.
A lembrança da destruição do terremoto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignnone size-full wp-image-739" title="tropas desembarcam palácio" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/tropas-desembarcam-palácio.jpg" alt="" width="505" height="305" /></em></p>
<p>A operação militar montada pelos Estados Unidos após o terremoto devastador no Haiti é um exemplo de como guerra e ajuda humanitária já dividem as mesmas trincheiras na geopolítica. A tragédia foi a brecha para estadunidenses realocarem tropas no Caribe e mostrarem que podem atropelar vizinhos e as Nações Unidas.</p>
<p>A lembrança da destruição do terremoto no Haiti tem cheiro e imagem: os cadáveres negros em Porto Príncipe levados por caminhões para serem enterrados em valas comuns, sem identificação, empilhados como lixo de um aterro. E mesmo essa violenta imagem é pequena para o tamanho do drama de um país, que, agora, ganhou para si mais um rótulo entre os tantos de seu empobrecimento. O de possuir uma “geração de desaparecidos”, que se perdeu em uma das piores catástrofes desde o tsunami asiático e das bombas de Hiroshima e Nagasaki.</p>
<p>O tremor de 7 graus na escala Richter foi arrasador. Derrubou o QG da burocracia das Nações Unidas, além do Congresso haitiano, prédios ministeriais e o palácio presidencial, símbolo máximo do governo nacional que tentava andar com as próprias pernas desde a eleição de 2006. O colapso da sede do governo, uma espécie de Casa Branca caribenha, foi o símbolo da derrocada política pós-terremoto. O segundo piso da construção ruiu quase completamente sobre o primeiro. Debaixo da cúpula principal ficaram soterrados os bustos de Alexandre Pétion e Simon Bolívar, ambos heróis ligados à primeira república negra da história.  O presidente René Préval e o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive estavam perdidos entre tantas carências.</p>
<p>O primeiro grito de socorro era para a ONU, que vem renovando anualmente o mandato da Minustah, a missão para a estabilização do Haiti, e ainda não conseguiu implementar projetos civis em escala no país. Todavia, o abalo e seu impacto foram democráticos para pobres e ricos: as Nações Unidas perderam seu <em>staff</em> de primeiro escalão. O tunisiano Hedi Annabi e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, chefe e vice-chefe no Haiti, respectivamente, faleceram entre os escombros. Entre os capacetes azuis também houve baixas.</p>
<p>O segundo grito de socorro de René Préval foi direto ao governo estadunidense – a essa altura já informado suficientemente pela embaixada do Haiti, a maior de Porto Príncipe e a representação diplomática que mais injeta dinheiro no país. Préval pediu quase tudo. Os estadunidenses, agora chefiados pelo presidente Barack Obama, prontamente responderam. E aproveitaram a ajuda humanitária para retomar sua influência direta na região com tropas militares, o que não faziam desde 2004.</p>
<p>Aliás, aqui vale uma pausa: a crise política aberta há seis anos teve dois eventos cruciais, publicamente denunciados, mas nunca investigados. Um deles, o financiamento estrangeiro a Guy Phillipe, ex-chefe de polícia da cidade de Cap-Haïtien que recebeu treinamento das forças especiais estadunidenses em 1990 no Equador. Phillipe armou uma milícia para marchar a partir da fronteira da República Dominicana e tentar derrubar o presidente Jean Bertrand Aristide. Quem o teria financiado? O outro acontecimento foi a retirada, no dia 29 de fevereiro, do presidente Aristide e sua família num avião comandado pelos fuzileiros estadunidenses. Levados para um “exílio” na África, Aristide acusou um golpe de Estado em sua primeira entrevista1. A situação se perdeu no jogo diplomático e no pronto reconhecimento do governo provisório por EUA, Canadá, França e até Brasil, que, a essa altura, já era convidado a comandar as tropas da ONU. Era o 33º golpe de Estado da história haitiana.</p>
<p>Os EUA mantiveram, com apoio de França, Canadá e Chile, uma força militar interina no Haiti até que a ocupação das Nações Unidas tivesse o comando. E a liderança do braço militar da missão foi dada ao Brasil, pois naquele momento, o governo George W. Bush estava atolado até o pescoço com a invasão ao Iraque. Começava o período em que estadunidenses deixavam o Haiti, a poucos quilômetros de sua costa, sob uma ocupação controlada pelo Conselho de Segurança da ONU. Em todas as ocasiões que podia, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice elogiava pesadamente o desempenho do Brasil no Haiti.</p>
<p>Bem, esse intervalo de ação militar dos EUA no Haiti terminou no terremoto. Com o governo democrata, a “operação humanitária” foi gigantesca. Se antes a soberania do povo haitiano era ameaçada com negociações econômicas e políticas, o momento atual concretiza o domínio do Haiti como extensão do território estadunidense. O próprio comando militar da ONU foi atropelado, embaraço esse devidamente negado posteriormente.</p>
<p>O controle do abalado Aeroporto Internacional Toussaint L’Overture pelos EUA indicava a primeira ação polêmica. O número de voos foi limitado a 60 por dia. A prioridade seria desembarcar a estrutura militar que chegava ao país. Aeronaves com equipamentos e ajuda humanitária foram desviados para a República Dominicana. De 14 a 19 de janeiro, período crítico da ajuda às vítimas, a ONG Médicos Sem Fronteiras teve 15 aviões enviados para Santo Domingo. A chegada a Porto Príncipe de 85 toneladas de equipamentos médicos foi postergada, enquanto a estrutura militar dos EUA era priorizada. Só depois de novas reclamações, o número de voos foi aumentado para cerca de 100 por dia. Também foi ícone da ocupação o desembarque do helicóptero com um pelotão de fuzileiros no gramado do combalido Palácio do Governo.</p>
<p>A mobilização incluiu o Departamento de Defesa, Usaid, Guarda Costeira e outros órgãos, num total de 16 mil soldados e trabalhadores, número maior do que todo o efetivo da Minustah. Até se cogitou usar a Base de Guantánamo para receber desabrigados haitianos.</p>
<p>A saraivada de críticas contra a ação militar gigantesca fez com que o Departamento de Estado tirasse a logística bélica de seu balanço de 10 dias de ações no Haiti. Afinal, tratava-se de uma operação de ajuda ou de uma ocupação militar? As duas coisas. Ironicamente, essa tem sido uma estratégia usada cada vez mais como forma de amenizar rejeições à militarização do território e a posterior adoção de “contrapartidas” com esses países. Isso quando a ajuda e a doação não são somente promessas no calor da comoção de uma crise social e política&#8230;</p>
<p>Um exemplo: em 2004, os países ricos se comprometeram com doações de US$ 1,08 bilhão ao Haiti e sequer enviaram todos os recursos prometidos. Agora, o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a anunciar um empréstimo “sem juros”. Parecia piada, justamente vinda de um órgão que forçou o governo a implodir as taxas de importação de um dos principais produtos agrícolas do país, o arroz, posteriormente comprado do excedente estadunidense em detrimento da produção local.</p>
<p>Resta-nos ver quando as novas promessas de doação vão chegar e como serão aplicadas. Há indícios do que está por vir. Em janeiro, foi realizada a primeira reunião para definir a metodologia adotada para a aplicação dos recursos dos países doadores. Ou seja, o começo da discussão diplomática. A secretária de Estado, Hillary Clinton, pediu que haja “mecanismos de coordenação, de supervisão e de verificação” para garantir que o dinheiro está sendo gasto de modo “eficaz”. E quem vai definir isso são os doadores.</p>
<p>Em entrevista recente, a ativista Naomi Klein fez uma comparação da tese de seu livro “The Shock Doctrine” ao terremoto do Haiti. Para ela, a doutrina usa desastres para evitar a democracia, sob o argumento de que as pessoas não são capazes de tomar decisões e alguém precisa fazer isso por elas. Políticas impopulares são adotadas muitas vezes a partir dos desejos de uma elite. “No caso do Haiti, a Heritage Foundation nem sequer esperou 24 horas para pedir ao governo Obama reformar a economia do Haiti”, diz Klein². Só para registrar, como sabemos, a Heritage Foundation é o núcleo de ideias econômicas da direita americana e formou quadros do governo Bush.</p>
<p>O Brasil está em seu momento mais delicado desde a decisão política de enviar tropas ao Caribe. Precisará abrir os cofres e ajudar a articular o uso do dinheiro para fazer diferença na vida dos haitianos, sob o risco de ver os anos de ocupação militar irem por água abaixo. A missão recomeça. O anúncio do emprego de R$ 376 milhões e o envio de mais soldados foi apenas o início.</p>
<p>O Haiti atual se tornou uma distorção da beleza de sua história, marcada pela conquista da independência por ex-escravos. Mais de duzentos anos depois do sonho de liberdade, a realidade é que falta muito para conseguir soberania para o povo haitiano. Um terço da população foi diretamente afetada pelo terremoto, a economia está mais frágil que nunca para se reerguer e a reboque da ação estrangeira. Será a luta para não ser colônia novamente.</p>
<p><em>* <strong>Aloisio Milani</strong> é jornalista e roteirista, viajou como repórter quatro vezes ao Haiti. Coordena a rede colaborativa e independente haiti.org.br. Artigo publicado originalmente em <strong>Le Monde Diplomatique Brasil</strong>, na edição de fevereiro de 2010.</em></p>
<p><strong><em>Notas:<br />
</em></strong>1 Aristide concedeu uma de suas primeiras entrevistas após o golpe ao site independente Democracy Now!2 Entrevista à Newsweek no dia 22 de janeiro (<a href="http://haiti.org.br/2010/01/naomi-klein-haitians-will-shape-their-future/" target="_blank">link</a>)</p>
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		<title>Dany Laferrière: o terremoto e a força do povo haitiano</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 19:21:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Milazzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[
Dany Laferrière é um dos expoentes da literatura caribenha contemporânea. Nascido em Porto Príncipe, na década de 70 o escritor teve de deixar seu país e partir para o exílio em Montreal, Canadá, fugindo da repressão do regime do ditador François Duvalier, o Papa Doc.
Laferrière estava em Pétionville, bairro no alto da capital haitiana, local [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-723" title="laferriere" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/laferriere.jpg" alt="" width="340" height="250" /></p>
<p>Dany Laferrière é um dos expoentes da literatura caribenha contemporânea. Nascido em Porto Príncipe, na década de 70 o escritor teve de deixar seu país e partir para o exílio em Montreal, Canadá, fugindo da repressão do regime do ditador François Duvalier, o Papa Doc.</p>
<p>Laferrière estava em Pétionville, bairro no alto da capital haitiana, local de mansões e embaixadas, quando houve o terremoto que já matou mais de 150 mil vítimas. Neste início de fevereiro, o escritor falou da experiência na Biblioteca do Arsenal – que integra a Biblioteca Nacional da França, em Paris.</p>
<p>O texto original foi publicado na revista francesa <em><a href="http://www.humanite.fr/2010-02-04_International_Haiti-Dany-Laferriere-Le-monde-entier-a-pu-verifier-la " target="_blank">L&#8217;Humanité</a></em>. A tradução para o português é de Daniel Milazzo, para o Haiti.Org.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando aconteceu, eu pensei: não vou me deixar intimidar por um terremoto. Esse sismo de magnitude 7 a 7,3 na escala Richter é paradoxal. É possível correr sem cair. Entretanto, as casas mais bem construídas – resultado da orgia de concreto que a ilha viveu para enfrentar os ciclones – desabaram com as pessoas dentro. O peso das construções as fez vacilar de acordo com um princípio do judô: é a sua própria força que te matará. No jardim do Hotel Karibe, onde eu estava com Michel Le Bris, nenhum ramo de flor foi quebrado. Dormimos na quadra de tênis. Quando ficamos sabendo que os palácios tinham ruído, assim como o ministério das Finanças e a catedral, pensamos: só há mais nada além dos seres humanos, todo o poder, todas as classes sociais desapareceram. </p>
<p>Nós nos deitamos no mesmo solo onde sentimos muito intesamente os 43 tremores seguintes. Sentíamos realmente o menor movimento da terra e então pensei que nunca mais poderei confiar nela. Em caso de terremoto, a terra não existe mais. Ela rola, parece que alguém a está sacudindo<strong> </strong>como um lençol. Pouco após o amanhecer, Lyonel Trouillot [<em>escritor e poeta haitiano</em>] veio se encontrar comigo. Nós fomos ver minha mãe. O bairro inteiro estava destruído. Nunca tinha conhecido um fenômeno como tal : as casas caíam ao meu redor de maneira imprevisível. Quando chegamos em frente ao abrigo de Franketienne [poeta, escritor e dramaturgo haitiano]<strong>, </strong>eu o encontrei em lágrimas. Ele me mostrou sua « fortaleza », em outras palavras, sua residência, uma autoficção construída para guardar seus quados e seus manuscritos. Ela estava bem prejudicada. Ele me disse que meia-hora antes do sismo ele repetia um solo e pronunciava as seguintes palavras : « Pouco a pouco, tudo se fissura, tudo se despedaça ». Ele mora a dez minutos da casa de minha mãe. Avistei um sobrinho que passava por ali e que mora na casa dela. Ele me disse que ela estava viva. Quando ocorreu o tremor de terra, eram dez para as 5, 6 horas. É a hora mais improvável em Porto Príncipe. Após o trabalho, as pessoas não vão diretamente para suas casas. Até as 6 horas, cada um é livre, ninguém sabe onde estão os outros. Quando cheguei na casa de minha mãe, encontrei-a muito nervosa. Ela me disse : « Tenho 90 anos. Vi de tudo : oito golpes de Estado, os Duvalier, o pai, o filho e o neto Aristide, os ciclones, dentre os quais aquele de um ano atrás, uma inundação&#8230; mas não esperava isso. » </p>
<p>Não sei se, mentalmente, aqueles que vão continuar nesta tera que habitam não continuarão a viver com o sentimento de uma profunda instabilidade. Haverá um problema psicológico de equilíbrio, mesmo que seja um povo forte. Esse terremoto é, sem sobra de dúvida, o maior acontecimento da ilha produzido sem manobras humanas desde a independência. Desta vez, todo o mundo compreende esta simples realidade : um terremoto dilacerou um país que já estava de joelhos. O racismo não joga apenas para embaralhar as cartas. A desgraça haitiana permitu que se penetrasse em zonas onde ninguém ia há muito tempo. Em Montreal [Dany Laferrière mora em Québec], vi reagir pessoas que não haviam se mobilizado desde o apartheid na África do Sul. Os jovens dos Estados Unidos estão muito excitados com o assunto pois estão apaixonados pelos ensejos ecológicos. O Haiti passou a fazer parte da visão planetária desse grupo. A ilha não é mais enxergada como um dado folclórico mas como um pedaço do mundo. Não é mais uma questão de lugar, mas uma questão de tempo. Aconteceu agora.</p>
<p>De repente, as pessoas de todo o mundo passaram a amar o Haiti sem saber como canalisar esse amor, mas acredito que esse momento terrível, que custa infinitamente caro, tem de ser aproveitado como o que ocorreu na luta pela independência. A política haitiana também tem que agarrar o momento. Há dez anos que não há mais debate. Que não há mais governo. O acontecimento é, paradoxalmente, uma chance, desde que as discussões sejam diretas, eficazes. Sob uma ditadura, o discurso do poder seria forte demais.</p>
<p>Dessa vez, escutamos o clamor do povo. Os haitianos são pessoas excepcionais, corajosas, disciplinadas, pacientes, mutuamente generosas e imaginativas. Todo o mundo verificou essa força. Ela deveria ser aplicada através de uma consciência nacional sem discurso ideológico. É um momento novo, inédito a se compreender. Quanto aos artistas, um grande poeta disse : « Os deuses enviam sofrimentos aos pobres para que eles os transformem em cantos ». Então, nós não vamos ficar de braços cruzados.</p>
<p>O grande receio é de ir ver o « doente » Haiti uma ou duas vezes e depois fica nisso. É preciso que o Haiti retome o diálogo. Durante uma semana, o Haiti fez funcionar o mundo midiático. Esse acontecimento fez os ocidentais acordarem por pelo menos sete dias. A televisão milagrosamente conseguiu captar a maneira como os haitianos encaram os fatos, permanecem plácidas apesar das carências, calmos, atentos, cheios de humor, e isso aproximou os ocidentais. Trata-se de intercambiar bens e emoções. É preciso haver uma relação de mercearia. Que as pessoas não enviem um monte de dinheiro de uma só vez. Não acelerar as coisas, mas se perguntar o que o Haiti nos traz. É preciso que o Haiti guarde aquilo que pode dar e que essa relação dure. Disso se trata um intercâmbio de bens e emoções. Então, vamos recomeçar. Com esse acontecimento, foi enfim consumada a morte de Duvalier, quem nos bloqueou o espírito por tanto tempo. Nós vamos sair desta neurose.<strong> </strong>O tremor de terra pôde tocar zonas sensívels, o coração e o corpo, mas o espírito do lucro não comeu a alma dos haitianos. É a cultura que estrutura o país. </p>
<p>O escritor tem o papel de intervir, de anotar. Conheço meu país, conheço este olhar distanciado que ele tem sobre esses acontecimentos como se fosse um espetáculo. Essa distância, podemos tê-la em nossa casa, mas eu me pergunto se ela é possível a partir do exterior. Os jornais exageram muito. Quando se fala do Haiti, se escuta sempre a mesma coisa: “Primeira República negra”, “pérola das Antilhas”, e bruscamente torna-se “país de 32 golpes de Estado, país de Duvalier”, “ditadura tropical”&#8230; É pesado. Nunca dá para começar uma discussão tocar nesses pontos. Desde o terremoto, eu vejo “Haiti querido” escrito por tudo quanto é lado. Rapidamente tomei a palavra nos jornais para dizer: “Parem com a expressão maldição”. O Haiti acaba de entrar no cenário internacional de maneira<strong> </strong>clara e compreensível. Não precisamos mais que colem certas expressões na nossa pele. É preciso, sobretudo, que o diálogo não seja cortado. O fundo do diálogo é a liberdade. As pessoas de poder gostam dos discursos bem fechados, pois têm medo da liberdade.”</p></blockquote>
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		<title>Manifesto contra ocupação militar e pela soberania do Haiti</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 19:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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O terremoto que matou quase 200 mil pessoas no Haiti também provocou uma reviravolta em sua política interna, que já sofria com a ingerência e interferência estrangeira. As organizações sociais do Haiti, mesmo reconhecendo os problemas do Estado haitiano, divulgaram uma carta para criticar a ocupação militar dos Estados Unidos &#8211; fora do mandato das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-702" title="terremoto futuro" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/02/terremoto-futuro.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>O terremoto que matou quase 200 mil pessoas no Haiti também provocou uma reviravolta em sua política interna, que já sofria com a ingerência e interferência estrangeira. As organizações sociais do Haiti, mesmo reconhecendo os problemas do Estado haitiano, divulgaram uma carta para criticar a ocupação militar dos Estados Unidos &#8211; fora do mandato das Nações Unidas &#8211; e pedir que a ajuda humanitária ajuda nos problemas reais da população: educação, saúde, reforma urbana, trabalho.</p>
<p>A seguir, leia o comunicado das organizações populares: &#8220;As perspectivas após a catástrofe&#8221;&#8230;</p>
<p>“Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Foi a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato de partilharem de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas)”.</p>
<p>O relato é do comunicado redigido por uma série de organizações populares do Haiti acerca da catástrofe que atingiu o país. As organizações declaram também sua “indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana (&#8230;) não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar”, afirmam elas. A tradução é do Cepat - Curitiba, Paraná.</p>
<blockquote><p>A todos os nossos aliados: No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de enorme violência atingiu nosso país com consequências dramáticas para as populações de vários municípios dos Departamentos do Oeste, do Sudeste e do conjunto do país. Este terremoto de magnitude 7,3 na escala Richter e as perdas irreparáveis que provocaram enlutaram nosso país deixando dores insuportáveis. Este drama que nos afeta hoje é sem dúvida alguma um dos mais graves de nossa história e a causa de um traumatismo profundo que marcará o século XXI haitiano.</p>
<p>Os balanços parciais até aqui tentam medianamente expressar uma realidade espantosa e indizível: o horror que vivemos juntos durante estes 35 segundos intermináveis que, em 12 de janeiro, deixou um pesado tributo de dores e de lágrimas. Mais de 150 mil mortos, 500 mil feridos, mais de um milhão sem teto, dezenas de milhares de amputados, mais de 300 mil pessoas refugiadas, mais de três milhões de seres devastados que, em um minuto, viram transformar para sempre suas vidas, suas famílias e suas sociedades. Uma sociedade inteira traumatizada que vive no medo permanente de um possível novo terremoto.</p>
<p>Todas nossas organizações foram profundamente sacudidas por este acontecimento. Perdemos familiares, companheiros de trabalho, crianças, jovens, profissionais cheios de promessas, de sonhos e de capacidades, edifícios, equipes, ferramentas de trabalho e uma documentação imensa baseada em mais de 30 anos de experiências coletivas com as organizações e as comunidades de base. As perdas são imensas e irreparáveis.</p>
<p>É indispensável apesar da dor que todos e todas sentimos refletir sobre o que acaba de acontecer e tirar dessa experiência trágica as lições e as orientações que nos permitam continuar com o nosso incansável trabalho de construção de outro país capaz de vencer o ciclo de desgraça e dependência e de se colocar à altura dos sonhos de emancipação universal de seus fundadores e de todo o povo haitiano.</p>
<p>O tamanho do desastre está vinculado sem duvida alguma a natureza do Estado em nosso país, uma herança histórica colonial e neocolonial e a implementação das políticas neoliberais ao longo das últimas três décadas. A hipercentralização ao redor da ‘República do Porto Príncipe’ definida pela ocupação norte-americana de 1915 é sem dúvida um dos fatores determinantes. Em particular, a liberalização completa do mercado dos bens imobiliários abriu um espaço de especulação desenfreada aos aproveitadores de todo tipo.</p>
<p>Comove-nos profundamente a extraordinária solidariedade manifestada pela população da região metropolitana que durante os três primeiros dias depois do terremoto respondeu com a auto-organização construindo 450 campos de refugiados que contribuíram para salvar milhares de pessoas graças ao fato que partilharam de forma comunitária todos os recursos disponíveis (alimentos, água, roupas). Honra e respeito à população de Porto Príncipe! Estes mecanismos espontâneos de solidariedade devem desempenhar um papel essencial no processo de reconstrução e de re-conceitualização do espaço nacional.</p>
<p>Enviamos esta carta a nossos colaboradores das diversas redes nacionais e internacionais, das quais fazemos parte, com o objetivo de informar sobre os passos que temos dado e sobre nossos objetivos a curto, médio e longo prazo.</p>
<p>Faz mais de uma semana nosso grupo de organizações e de plataformas se reúne com frequência com o objetivo de fazer frente a esta nova situação definindo novas estratégias e implementando novas maneiras de trabalhar. Assim, nós, os responsáveis das organizações e plataformas que assinamos esta carta, depois de vários encontros para analisar a nova situação e definir estratégias comuns adotamos uma posição baseada nos seguintes eixos:</p>
<p>- Contribuir para preservar os principais êxitos dos movimentos sociais e populares haitianos ameaçados pela nova situação;</p>
<p>- Contribuir na resposta às necessidades urgentes da população organizando centros de serviços comunitários capazes de responder de forma adequada às seguintes necessidades: alimentação, atenção a saúde primária, assistência médica e psicológica em resposta aos traumas sofridos no momento do terremoto;</p>
<p>- Aproveitar o fato de que os grandes meios de comunicação olham nosso país para difundir uma imagem diferente da projetada pela forças imperialistas;</p>
<p>- Implementar novas formas de atuar que permitam superar a atomização e a dispersão que constituem uma das principais debilidades de nossas organizações. Este processo de aproximação deve se constituir com a estruturação de um espaço comum que possa acolher provisoriamente nossas seis equipes que continuam trabalhando de modo autônomo uma vez que implementaram mecanismos permanentes de intercâmbios e de trabalhos mutualizados. Estaremos atentos em fazer prevalecer um enfoque coletivo na busca de respostas comuns a nossos problemas na construção de uma alternativa democrática popular efetiva e viável.</p>
<p>Quanto à situação de urgência, estamos instalando centros de serviços. Um de nossos centros já implementado e em operação acolhe 300 pessoas que recebem comida duas vezes ao dia e estão protegidas sob tendas.</p>
<p>O centro oferece também consultas médicas e acompanhamento psicológico. Estes serviços são também proporcionados as pessoas que moram nos campos de refugiados na região. No centro da avenida Popupelard funciona graças ao apoio de profissionais haitianos (médicos, enfermeiros, psicólogos, trabalhadores sociais) apoiados por médicos alemães da organização de socorro Cabo Anamur. Tratamos de instalar centros similares em outros bairros da região metropolitana duramente afetadas pelo terremoto nos quais não existe nenhuma oferta de serviços dessa natureza. Instalaremos 4 nos bairros de Carrefour (Martissant, Fontamara) e de Gressier. Contamos com a solidariedade de todos nossos colaboradores para assegurarmos um funcionamento eficiente.</p>
<p>Ao mesmo tempo, nossas 2 plataformas e 4 organizações instalaram um ponto focal de encontros e de coordenação no local de FIDES-Haïti. Estamos dispostos a acolher nesse espaços novas plataformas e organizações do movimento democrático popular. Comprometemo-nos em mobilizar os diferentes componentes desse movimento para ampliar os esforços para socorrer aos sobreviventes e, de outro lado, para formular um plano comum para a reabilitação de nossas instituições e organizações. Apresentaremos esse plano e os projetos concretos que o acompanham brevemente.</p>
<p>A ajuda urgente da qual participamos é alternativa e temos a intenção de desenvolver um trabalho de denúncia das praticas tradicionais em matéria de intervenções humanitárias, as quais não respeitam a dignidade das vítimas e se inscrevem no marco de um processo de fortalecimento de nossa dependência. Lutamos por uma ajuda humanitária adaptada e respeitosa a nossa cultura e de nosso entorno e que não destrua as construções de economia solidária elaboradas faz várias décadas pelas organizações de base com as quais trabalhamos.</p>
<p>Para terminar queremos saudar, a extraordinária generosidade da opinião publica mundial manifestada pelo drama que vivemos. Somos gratos e acreditamos que é o momento de construir um novo olhar sobre o nosso país que permita construir uma solidariedade autêntica livre dos reflexos paternalistas de piedade e inferiorizarão. Deveríamos trabalhar para manter esta vigorosa solidariedade para além da excitação midiática. A resposta à crise demonstra que em certas situações os povos do mundo são capazes de ir para além das leituras superficiais e estereotipadas de corte sensacionalista.</p>
<p>A ajuda humanitária massiva é hoje indispensável dada a amplitude da catástrofe, mas deve ser estruturante articulando-se com uma visão diferente do processo de reconstrução. Deve romper com os paradigmas que dominam os circuitos tradicionais da ajuda internacional. Desejaríamos ver nascer brigadas internacionalistas de solidariedade que trabalhariam junto com as nossas organizações na luta pela realização de uma reforma agrária e de uma reforma territorial urbana integrada à luta contra o analfabetismo e para repovoação florestal, na edificação de novos sistemas educativos e de saúde universais, descentralizados e modernos.</p>
<p>Devemos também proclamar nossa cólera e nossa indignação frente à utilização da crise haitiana para justificar uma nova invasão de 20 mil marines norte americana. Denunciamos o que pode converter-se em uma nova ocupação militar, a terceira de nossa historia por tropas norte-americanas. Inscreve-se obviamente na estratégia de remilitarização do Caribe no marco da resposta do imperialismo a rebelião crescente dos Povos do continente frente à mundialização neoliberal.</p>
<p>Inscreve-se também em uma estratégia de guerra preventiva frente a uma insurreição eventual e social que viria de um Povo esmagado pela miséria em que se encontra em uma situação de desespero. Denunciamos o modelo aplicado pelo Governo norte-americano e a resposta militar frente a uma trágica crise humanitária. Ao se apoderar do aeroporto Toussaint Louverture e de outras infra-instrutoras estratégicas do país, privaram ao Povo haitiano de uma parte das contribuições que vinham do CARICOM, da Venezuela e de alguns países europeus. Denunciamos o método aplicado e não aceitamos que o nosso país seja transformado em uma base militar.</p>
<p>Nós, dirigentes das organizações e das plataformas iniciadoras dessa gestão, escrevemos-lhes hoje para transmitir nossa primeira analise da situação. Estamos convencidos que vocês – como já têm demonstrado – continuarão acompanhando nosso trabalho e nossa luta no marco da construção de uma alternativa nacional, que será fonte do renascimento de nosso país golpeado por uma catástrofe horrível e que lutará para sair do ciclo da dependência.</p>
<p>Porto Príncipe, 27 de janeiro de 2010.</p>
<p>Pelo Comitê de coordenação:</p>
<p>Sony Estéus &#8211; Diretor SAKS<br />
Camille Chalmers &#8211; Diretor PAPDA<br />
Marie Carmelle Fils-Aimé – Officier de Programme ICKL</p>
<p>Pelas organizações e plataformas que participam dessa iniciativa:</p>
<p>Marc Arthur Fils-Aimé, Institut Culturel Karl Léveque (ICKL)<br />
Maxime J. Rony, Programme alternatif de Justice (PAJ)<br />
Sony Estéus, Sosyete Animasyon ak Kominikasyon Sosyal (SAKS)<br />
Chenet Jean Baptiste, Institut de Technologie et d’animation (ITECA)</p></blockquote>
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		<title>Amputados e feridos: o drama e o legado do terremoto haitiano</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 19:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[amputações]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[haiti]]></category>
		<category><![CDATA[terremoto]]></category>
		<category><![CDATA[vítimas]]></category>

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		<description><![CDATA[
O mutirão de resgate de vítimas vai diminuindo à medida que são menores as chances de se encontrar sobreviventes sob os escombros. Mas existe também o drama do feridos que precisam de atedimento médico constante, o que já era dificílimo antes do terremoto. Muitas pessoas perderam membros no impacto do próprio tremor, outras tiveram necroses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-665" title="terremoto amputações" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-amputações-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></p>
<p>O mutirão de resgate de vítimas vai diminuindo à medida que são menores as chances de se encontrar sobreviventes sob os escombros. Mas existe também o drama do feridos que precisam de atedimento médico constante, o que já era dificílimo antes do terremoto. Muitas pessoas perderam membros no impacto do próprio tremor, outras tiveram necroses com o tempo e necessitavam de cirurgias. A seguir dois relatos sobre as vítimas de amputações:</p>
<p>- Primeiro, a descrição da <a href="http://www.msf.org.br/haiti/" target="_blank">ONG Médicos Sem Fronteiras</a>:</p>
<p>&#8220;As atividades médicas no Haiti ainda estão muito focadas no tratamento de pessoas que ficaram feridas no terremoto, com cirurgia e acompanhamento pós-operatório se expandindo. Mas como Rosa Crestani, uma das coordenadoras de emergência de MSF explica, há uma segunda fase a caminho, na qual a maca de operação ainda é central. &#8220;Embora tenhamos realizado operações capazes de salvar vidas, agora precisamos conseguir realizar mais intervenções para salvar membros. Isso significa operar as pessoas cujos ferimentos estão se tornando infeccionados e que podem comprometer um membro completo em poucos dias, a não ser que sejam operados. Para lidar com a demanda, estamos abrindo um terceiro centro cirúrgico em Choscal e ainda trabalhando ininterruptamente&#8221;. MSF também começou a administrar clínicas para procurar por pessoas que precisam de cuidados urgentes, mas que não conseguiram ter acesso a nenhum.</p>
<p>As consequências de maior amplitude do desastre também estão na agenda das equipes de MSF. O impacto mental do desastre está se tornando mais visível nos sintomas apresentados pelos pacientes que chegam às clínicas gerais de MSF. Foi observado na unidade de Leogane que metade das pessoas tratadas no local sofre de trauma psíquico. Perto do Hospital de Carrefour, onde a equipe médica tem mantido clínicas para as pessoas que vivem nos arredores, está começando a ser oferecido alimentação suplementar para algumas crianças.</p>
<p>O hospital em Carrefour registrou alguns de seus dados nos oito dias de atendimento. A equipe realizou cerca de 208 grandes intervenções cirúrgicas e cem simples. Eles realizaram 2,4 mil curativos e 446 pessoas passaram pelas alas neste período. Esses departamentos eram muito perigosos para que os pacientes ficassem neles após o terremoto da semana passada e todos foram transferidos das tendas temporárias para o novo &#8220;hospital&#8221; improvisado no que antes era uma escola.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os esforços para montar unidades de MSF em outras áreas continuam. A equipe que recentemente montou – e encheu – o hospital inflável em Porto Príncipe agora está trabalhando em um plano para criar um &#8220;vilarejo&#8221; pós-operatório em outro espaço aberto da cidade. As alas seriam novamente feitas de telas, pois o medo de ficar dentro de edifícios sólidos ainda é significante para os pacientes feridos no terremoto. O vilarejo vai oferecer atendimento de enfermagem e de curativos, com fisioterapia e ajuda psicológica para cerca de cem pacientes se recuperando de cirurgias.&#8221;</p>
<p>- Em segundo lugar, um trecho traduzido livremente de uma <a href="http://www.lenouvelliste.com/article.php?PubID=1&amp;ArticleID=78024&amp;PubDate=2010-01-26" target="_blank">reportagem da Le Nouvelliste</a>:</p>
<p>&#8220;As amputações no Haiti não possui precedentes e vão deixar um legado terrível, prevê a Handicap International, uma associação especializada na reabilitação de doentes, que desembarcou no país atingido por um terremoto há duas semanas.</p>
<p>Milhares de pessoas foram amputadas devido à catástrofe. Em alguns hospitais, vemos de 30 a 100 amputações por dia&#8221;, disse terça-feira um porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Paul Garwood em uma coletiva de imprensa em Genebra.</p>
<p>Inúmeros haitianos perderam um membro diretamente no colapso de uma construção. Outros tiveram necroses de órgãos feridos. Juntas, as mutilações vão &#8220;além de qualquer coisa que temos visto em outros lugares&#8221;, disse Wendy Batson, diretor da filial americana da Handicap International.</p>
<p>Esta organização, co-vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1997 por sua campanha para proibir as minas terrestres, enviou à ilha caribenha um grupo inicialmente implantado na China e Paquistão, onde eles levaram missões de emergência e longo prazo para as vítimas.&#8221;</p>
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		<title>O Haiti antes e depois do terremoto</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 16:06:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[
Federico Neiburg*
O Brasil é um ator no drama haitiano desde 2004, quando passou a chefiar a parte militar da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah). A responsabilidade do país na conjuntura atual é ainda mais importante. Para discuti-la seriamente é crucial ter um diagnóstico da situação, conhecer o Haiti de antes do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-633" title="terremoto refugiados" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-refugiados.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Federico Neiburg*</p>
<p>O Brasil é um ator no drama haitiano desde 2004, quando passou a chefiar a parte militar da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah). A responsabilidade do país na conjuntura atual é ainda mais importante. Para discuti-la seriamente é crucial ter um diagnóstico da situação, conhecer o Haiti de antes do terremoto.</p>
<p>Três elementos que o drama atual põe em evidência de forma exacerbada não são novidade: o peso das forças estrangeiras (outros países, entidades multilaterais, ONGs), a denúncia da ausência do Estado haitiano, e a necessidade urgente de ajuda à população.</p>
<p>A relação entre estes elementos constituiu um sistema de produção de pobreza e desigualdade que se retroalimenta há décadas. Sem levar isso em consideração, o debate público sobre o futuro do Haiti estará mal colocado e as políticas da comunidade internacional (dos governos, das agências multilaterais e da sociedade civil), por mais bem intencionadas que sejam, correm o risco, mais uma vez, de fracassar ou de atingir objetivos limitados e pouco sustentáveis, contribuindo para a reprodução do drama humano que a fúria da natureza parece ter potenciado a níveis dantescos.</p>
<p>Sabe-se que a crise haitiana é de longa data e que ela se agravou de forma notável após o fim da ditadura dos Duvalier (1957-1986). Muitas das imagens veiculadas pela mídia para descrever a tragédia destes dias poderiam ser de antes do terremoto. Porto Príncipe já era uma cidade quase sem eletricidade e sem água. O abastecimento alcançava uma porção ínfima da população, só alguns bairros, poucas horas por dia, alguns dias da semana. A crise alimentar já era gravíssima.</p>
<p>A concorrência entre as forças externas que intervêm no país tampouco é novidade. Já desde o século XIX o Haiti teve um importante papel na disputa entre potências como França, Espanha, Inglaterra e EUA. A França proclama até hoje “laços históricos” com a antiga colônia.</p>
<p>Os EUA, que já ocuparam o Haiti entre 1915 e 1936, e na década de 1990, até hoje, mais de 20 anos após o fim da Guerra Fria, mantêm naquele miserável país uma das maiores embaixadas do mundo. Com argumentos que vão da importância da imigração haitiana nos EUA até razões de “segurança nacional”, quem se encarregava de cuidar do Haiti no governo americano era o Departamento de Segurança Interior e não o Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores — como se o Haiti fosse parte do território americano.</p>
<p>Antes do terremoto, estava claro que, às vezes de forma coordenada e muitas outras em tensa concorrência, duas forças político-militares atuavam no Haiti: a ONU e os EUA.</p>
<p>Nas centenas de instituições humanitárias, como nas instâncias do governo e na infinidade de associações comunitárias, havia no Haiti milhares de pessoas bem intencionadas, generosas, solidárias, que desenvolviam ideias ousadas, aproveitando a energia fantástica da população e, nos últimos anos, a grande novidade da estabilidade política e da redução da violência — não só devido à presença da Minustah, mas também às ações de organizações da sociedade civil, inclusive do exterior, como o Viva Rio.</p>
<p>A onda de solidariedade criada nestes dias está ancorada em décadas de trabalho comunitário.</p>
<p>O sismo destruiu vidas e muitas iniciativas e projetos bem-sucedidos, agravando a penúria causada pelo desastre.</p>
<p>Diferentemente do estereótipo negativo que pesa sobre o Haiti há pelos menos 200 anos (quando os escravos de Saint Domingue ousaram desafiar os cânones da época, declarandose sujeitos políticos autônomos e fundando a nação), e ao contrário das dificuldades evidentes em organizar a vida política nacional e a administração pública de forma transparente e eficiente, a população sempre esteve ansiosa por construir formas alternativas de vida coletiva.</p>
<p>Os haitianos têm uma riquíssima tradição de organização comunitária: comitês, associações, redes de famílias extensas garantem a sobrevivência das pessoas, o suprimento de alimentos, o funcionamento de escolas. É esse caldo social da solidariedade que permite compreender como não há mais violência diante da catástrofe de hoje, das pilhas de cadáveres nas ruas, das centenas de milhares de desaparecidos, desabrigados e feridos, da escassez de produtos de primeira necessidade, da demora na chegada da ajuda humanitária.</p>
<p>A dor infinita produzida por esta catástrofe exige pensar seriamente o futuro do Haiti. Boa parte das razões do drama haitiano que o terremoto colocou em escala incomensurável estava presente antes. É preciso aceitar que, neste momento, a vida haitiana não está organizada segundo o paradigma do Estado soberano. Isso obriga a definir novas atribuições da comunidade internacional, criando órgãos executivos com poder de decisão. Mas não se trata de forma alguma de negar o direito do povo haitiano a gerir seu próprio futuro. Ao contrário, as associações e as lideranças políticas e comunitárias têm de participar do desenho de formas novas de gestão da vida coletiva. A avaliação das ações passadas e o plano das ações futuras da Minustah, do governo brasileiro e da sociedade civil do nosso país no Haiti precisam de uma discussão clara e sem hipocrisias sobre o que está em jogo nesta hora.</p>
<p><strong>FEDERICO NEIBURG</strong> é antropólogo, pesquisador do CNPq, professor no Programa de PósGraduação em Antropologia Social, Museu Nacional, UFRJ. Artigo publicado no jornal O Globo no dia 24/01/2010.</p>
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		<title>Dentro do Haiti: vídeo 360 graus</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 20:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Deak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Equipe da CNN filma Porto Príncipe com uma câmera especial e monta um vídeo interativo imperdível.

Clique aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://edition.cnn.com/interactive/2010/01/world/haiti.360/index.3.html" target="_blank"><img class="alignleft size-medium wp-image-616" title="haiticnn" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiticnn1-300x168.gif" alt="" width="300" height="168" /></a></p>
<p>Equipe da CNN filma Porto Príncipe com uma câmera especial e monta um vídeo interativo imperdível.</p>
<p><a href="http://edition.cnn.com/interactive/2010/01/world/haiti.360/index.3.html" target="_blank"><br />
Clique aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dez dias que abalaram o Haiti&#8230; e o mundo</title>
		<link>http://haiti.org.br/2010/01/dez-dias-que-abalaram-o-haiti-e-o-mundo/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 18:32:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos]]></category>
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Na terça-feira, dia 12, o Haiti viveu sua pior tragédia humanitária. Nos dez dias completados nessa sexta-feira, 22, o mundo conheceu em imagens a destruição de um já empobrecido país. O que se viu na mídia foi, antes de tudo, um campeonato de imagens e fotografias horripilantes, bem disse o ativista Jean-Louis Bianco. Ao mesmo tempo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-588" title="terremoto 10 dias" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-10-dias.jpg" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p>Na terça-feira, dia 12, o Haiti viveu sua pior tragédia humanitária. Nos dez dias completados nessa sexta-feira, 22, o mundo conheceu em <a href="http://haiti.org.br/2010/01/haiti-imagens-para-uso-nao-comercial/" target="_blank">imagens</a> a destruição de um já empobrecido país. O que se viu na mídia foi, antes de tudo, um campeonato de imagens e fotografias horripilantes, bem disse o ativista <a href="http://haiti.org.br/2010/01/haiti-a-l%e2%80%99epreuve-du-choc/" target="_blank">Jean-Louis Bianco</a>. Ao mesmo tempo, serviu para alertar uma rede gigantesca de pessoas solidárias, dispostas a entender o Haiti mais profundamente. Principalmente sobre os riscos de receber ajuda humanitária aliada a uma ocupação militar e a uma posterior direção no futuro soberano e independente do país.</p>
<p>Sem comunicação quase alguma, as primeiras notícias do terremoto começaram a viajar pelo mundo somente na madrugada da quarta-feira. Ali, aparecia a dimensão de uma nova crise social e política. O Palácio do Governo desabou. Integrantes do governo morreram. A sede da ONU em Porto Príncipe, o bunker da atual ocupação militar, ruiu. Matou seu staff maior no país: os diplomatas Hedi Annabi e Luis Carlos da Costa. Sob os escombros da capital, um incontável número de corpos, posteriormente, empilhados e enterrados em valas comuns. Criou-se a <a href="http://haiti.org.br/2010/01/a-%e2%80%98interminavel%e2%80%99-lista-de-mortos-e-desaparecidos-no-haiti/" target="_blank">&#8220;geração de desaparecidos&#8221;</a>.</p>
<p>Em dez dias, inúmeros outros terremotos abalaram Porto Príncipe. O maior deles foi sentido na manhã de quarta-feira, dia 20.  A sensação era de impotência, desespero, fragilidade. Não se via fotos com tantos mortos desde Iraque, Uganda e do tsunami asiático. Atônita, a ONU viveu sua pior tragédia com mais de 100 mortos na missão. Os Estados Unidos, chamados à intervir em seu “quintal”, atropelaram qualquer outra estrutura e controlaram militarmente vários pontos estratégicos, sobretudo o aeroporto semi-destruído.</p>
<p>A mídia mobilizou suas estruturas. Agências e televisões internacionais voaram às pressas para o país mais pobre das Américas. O Brasil, que há quase seis anos chefiando o braço militar da missão da ONU, não dispunha de nenhum jornalista por lá. Mas o destino faria o Brasil voltar seus olhos de novo para o Caribe. De cara, uma dezena de soldados mortos no terremoto. Seriam quase 20. Também chegava a notícia da morte da coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. A <a href="http://haiti.org.br/2010/01/haiti-e-o-%e2%80%9cestado-de-sitio%e2%80%9d-permanente-2/" target="_blank">tragédia unia Brasil e Haiti</a> mais uma vez.</p>
<p>Em viagem ao Haiti, um grupo de estudantes e pesquisadores de Antropologia da Unicamp abasteciam um <a href="http://lacitadelle.wordpress.com" target="_blank">blog</a> com surpreendentes descrições da capital. &#8220;O que vemos hoje em Porto Príncipe, dois dias após o terremoto é um exemplo indescritível de civismo e ajuda. Não há o caos, como parte dos jornalistas que nos procuram querem ouvir, as pessoas não estão em desespero e nem há sinal da “barbárie imaginária” que molda o nosso preconceito sobre o Haiti. Os haitianos estão se virando como sempre fizeram após embargos e avanços econômicos internacionais que implodiram a produção local&#8221;, descreveram.</p>
<p>Muitos países e entidades anunciaram doações em dinheiro. A Federação Internacional da Cruz Vermelha classificou como a maior operação de ajuda humanitária da história, acima do que foi feito no tsunami asiático. Ainda assim, não faltaram críticas de atrasos e priorização dos resgates para os prédios das Nações Unidas. Algumas doações foram puro marketing e oportunismo. Uma delas a do Fundo Monetário Internacional (FMI) que disponibilizou um &#8220;empréstimo&#8221; (sim, isso mesmo) para o Haiti. Como se a destruição permitisse pagar o dinheiro a curto prazo. Depois de uma saraivada de críticas, o montante deve ser repertido em doação. A ver&#8230;</p>
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		<title>Haiti’s suffering is a result of calculated impoverishment</title>
		<link>http://haiti.org.br/2010/01/haitis-suffering-is-a-result-of-calculated-impoverishment/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 10:23:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[
By Seumas Milne, para o The Guardian

There is no relief for the people of Haiti, it seems, even in their hour of promised salvation. More than a week after the earthquake that may have killed 200,000 people, most Haitians have seen nothing of the armada of aid they have been promised by the outside world. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>By Seumas Milne, para o The Guardian</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-568" title="escombros carrefour" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/escombros-carrefour.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>There is no relief for the people of Haiti, it seems, even in their hour of promised salvation. More than a week after the earthquake that may have killed 200,000 people, most Haitians have seen nothing of the armada of aid they have been promised by the outside world. Instead, while the <a title="US military has commandeered Port-au-Princes airport" href="http://www.guardian.co.uk/world/blog/audio/2010/jan/19/guardian-daily-podcast">US military has commandeered Port-au-Prince&#8217;s ­airport</a> to pour thousands of soldiers into the stricken Caribbean state, wounded and hungry survivors of the catastrophe have carried on dying.</p>
<p>Most scandalously, US commanders have repeatedly turned away flights bringing medical equipment and ­emergency supplies from organisations such as the World Food Programme and Médecins Sans Frontières, in order to give priority to landing troops. Despite the remarkable patience and solidarity on the streets and the relatively small scale of looting, the aim is said to be to ensure security and avoid &#8220;another Somalia&#8221; – a reference to the US ­military&#8217;s &#8220;Black Hawk Down&#8221; ­humiliation in 1993. It&#8217;s an approach that ­certainly chimes with well-­established traditions of keeping Haiti under control.</p>
<p>In the last couple of days, another motivation has become clearer as the US has launched a full-scale <a title="naval blockade" href="http://www.independent.ie/world-news/americas/us-ships-set-up-blockade-to-prevent-a-mass-exodus-2022667.html">naval blockade</a> of Haiti to prevent a seaborne exodus by refugees seeking sanctuary in the United States from the desperate aftermath of disaster. So while Welsh firefighters and Cuban ­doctors have been getting on with the job of ­saving lives this week, the 82nd Airborne Division was busy parachuting into the ruins of Haiti&#8217;s presidential palace.</p>
<p>There&#8217;s no doubt that more Haitians have died as a result of these shockingly perverse priorities. As Patrick Elie, former defence minister in the government of Jean-Bertrand Aristide – twice overthrown with US support – put it: &#8220;We don&#8217;t need soldiers, there&#8217;s no war here.&#8221; It&#8217;s hardly surprising if Haitians such as Elie, or French and Venezuelan leaders, have talked about the threat of a new US occupation, given the scale of the takeover.</p>
<p>Their criticisms have been dismissed as kneejerk anti-Americanism at a time when the US military is regarded as the only force that can provide the ­logistical backup for the relief effort. In the context of Haiti&#8217;s gruesome history of invasion and exploitation by the US and European colonial powers, though, that is a truly asinine response. For while last week&#8217;s earthquake was a natural ­disaster, the scale of the human catastrophe it has unleashed is man-made.</p>
<p>It is uncontested that poverty is the main cause of the horrific death toll: the product of teeming shacks and the absence of health and public infrastructure. But Haiti&#8217;s poverty is treated as some ­baffling quirk of history or culture, when in reality it is the direct ­consequence of a uniquely brutal ­relationship with the outside world — notably the US, France and Britain — stretching back centuries.</p>
<p>Punished for the success of its uprising against slavery and self-proclaimed first black republic of 1804 with invasion, blockade and a crushing burden of debt reparations only finally paid off in 1947, Haiti was occupied by the US between the wars and squeezed mercilessly by multiple creditors. More than a century of deliberate colonial impoverishment was followed by decades of the US-backed dictatorship of the Duvaliers, who indebted the country still further.</p>
<p>When the liberation theologist <a title="Aristide" href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/jan/18/aristide-haiti-mandate-recovery">Aristide</a> was elected on a platform of development and social justice, his challenge to Haiti&#8217;s oligarchy and its international sponsors led to two foreign-backed coups and US invasions, a suspension of aid and loans, and eventual exile in 2004. Since then, thousands of UN troops have provided security for a discredited political system, while ­global financial institutions have imposed a relentlessly neoliberal diet, pauperising Haitians still further.</p>
<p>Thirty years ago, for example, Haiti was self-sufficient in its staple of rice. In the mid-90s the IMF forced it to slash tariffs, the US dumped its subsidised surplus on the country, and Haiti now imports the bulk of its rice. Tens of thousands of rice farmers were forced to move to the jerry-built slums of Port-au-Prince. Many died as a result last week.</p>
<p>The same goes for the lending and aid conditions imposed over the past two decades, which forced Haitian governments to privatise, hold down the minimum wage and cut back the already minimal health, education and public infrastructure. The impact can be seen in the helplessness of the Haitian state to provide the most basic relief to its own people. Even now, new IMF loans require Haiti to raise electricity prices and freeze public sector pay in a country where most people live on less than two dollars a day.</p>
<p>What this saga translates into in real life can be seen in the stark contrast between Haiti, which has taken its market medicine, with nearby Cuba, which hasn&#8217;t, but suffers from a 50-year US economic blockade. While Haiti&#8217;s infant mortality rate is around 80 per 1,000, Cuba&#8217;s is 5.8; while nearly half Haitian adults are illiterate, the figure in Cuba is around 3%. And while 800 Haitians died in the hurricanes that devastated both islands last year, Cuba lost four people.</p>
<p>In her book <a title="The Shock Doctrine" href="http://books.guardian.co.uk/series/naomiklein">The Shock Doctrine</a>, Naomi Klein shows how natural disasters and wars, from Iraq to the 2004 Asian tsunami, have been used by corporate interests and their state ­sponsors to drive through predatory neoliberal ­policies, from ­radical deregulation to privatisation, that would have been impossible at other times. There&#8217;s no doubt that some would now like to impose a form of ­disaster ­capitalism on Haiti. The influential US conservative Heritage Foundation initially <a title="argued last week" href="http://www.naomiklein.org/articles/2010/01/haiti-disaster-capitalism-alert-stop-them-they-shock-again">argued last week</a> that the ­earthquake ­offered ­&#8221;opportunities to ­reshape Haiti&#8217;s long-dysfunctional government and ­economy as well as to improve the ­public image of the United States&#8221;.</p>
<p>The former president Bill Clinton, who wants to build up Haiti&#8217;s export-processing zones, appeared to contemplate something similar, though a good deal more sensitively, in an interview with the BBC. But more sweatshop assembly of products neither made nor sold in Haiti won&#8217;t develop its economy nor provide a regular income for the majority. That requires the cancellation of Haiti&#8217;s existing billion-dollar debt, a replacement of new loans with grants, and a Haitian-led democratic reconstruction of their own country, based on public investment, redevelopment of agriculture and a crash literacy programme. That really would offer a route out of Haiti&#8217;s horror.</p>
<p><em>This article was first published in <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/jan/20/haiti-suffering-earthquake-punitive-relationship">The Guardian</a> </em></p>
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		<title>Haiti: respuesta débil de lo Estado, ONU hace poco</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 21:47:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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Karol Assunção, da Adital //
Después de una semana de ocurrido el terremoto que destruyó parte de Haití, la situación todavía continúa siendo complicada. De acuerdo con informaciones del secretario ejecutivo de la Plataforma Haitiana por un Desarrollo Alternativo (Papda), Camille Chalmers, la situación en el país permanece mala, con dificultades de comunicación. Varios países ayudan [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-554" title="terremoto ajuda" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/terremoto-ajuda.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Karol Assunção, da Adital //</p>
<p>Después de una semana de ocurrido el terremoto que destruyó parte de Haití, la situación todavía continúa siendo complicada. De acuerdo con informaciones del secretario ejecutivo de la Plataforma Haitiana por un Desarrollo Alternativo (Papda), Camille Chalmers, la situación en el país permanece mala, con dificultades de comunicación. Varios países ayudan en el rescate y en la atención de los heridos, como Cuba, que continúa enviando médicos al lugar.</p>
<p>Según Chalmers, la situación en el país caribeño es &#8220;dramática&#8221;, con tres millones de flagelados, más de 100 mil muertos y cientos de miles de heridos. &#8220;Toda la población durmiendo en la calle esperando la réplica y nuevos golpes&#8230;&#8221;, afirma. El problema se vuelve todavía más grave a causa de la ausencia del Estado.</p>
<p>&#8220;Una respuesta muy débil de un Estado casi ausente. Los 9.000 soldados de la ONU [Organización de las Naciones Unidas] no están haciendo nada para ayudar a la población. La mayoría de las personas quedaron sin asistencia médica durante 48 horas porque los mayores hospitales de la capital fueron alcanzados por el terremoto y no están funcionando. Los bomberos también [están] totalmente impotentes porque su local está enterrado y superado por las dimensiones de la catástrofe&#8221;, comenta.</p>
<p>Para él, tres elementos son necesarios para la recuperación del país: una asistencia de urgencia coordinada, con el objetivo de garantizar el abastecimiento de agua potable, comida, ropas y lugares para dar albergue a la población necesitada, así como ayuda en el rescate de personas y para luchar contra los riesgos de epidemia; una rehabilitación, con la recuperación de las comunicaciones y de la infraestructura del país; y una solidaridad estructurante, con inversiones para que la población pueda reestructurar su vida con mejores condiciones.</p>
<p>Chalmers cree que, a partir de la solidaridad, los haitianos pueden reconstruir sus vidas en forma más digna, sin la presencia de la Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización de Haití (Minustah). &#8220;Es la hora de un gran oleada de brigadas de solidaridad con el Pueblo de Haití que no sea esta miseria, agresión caricaturesca que representa la Minustah&#8221;, sostiene.</p>
<p>De acuerdo con el secretario de la Papda, tal movimiento de solidaridad -de pueblo a pueblo-, debe priorizar puntos como: la construcción de un sistema de enseñanza público y gratuito, eficaz, que respete la historia, la cultura y el ecosistema del país; la lucha contra la crisis ambiental; la construcción de un sistema de salud pública de calidad y accesible; la expulsión de la Minustah y en su lugar realizar la construcción de brigadas de solidaridad; y la reconstrucción de una ciudad basada en la lógica de urbanización humana.</p>
<p>Médicos cubanos</p>
<p>Con la situación precaria de Haití, muchos damnificados por el terremoto encuentran ayuda en profesionales venidos de otros países. En medicina, el mayor destaque son los médicos cubanos, que continúan llegando al país para prestar socorro a las víctimas. De acuerdo con la Agencia de Noticias Cubana, Cuba continúa enviando al país caribeño aviones con toneladas de equipamientos y suministros médicos, así como médicos y especialistas en situaciones de emergencia.</p>
<p>El último sábado (16), Cuba envió a Haití tres equipos quirúrgicos adicionales y un grupo de 37 médicos haitianos formados en la escuela de medicina del Caribe en Santiago de Cuba para reforzar el socorro. Según la Agencia de Noticias, los cubanos también están listos para reabrir el centro asistencial &#8220;George Gauvin&#8221;, ubicado en la ciudad de Grand Goave, para atender a las víctimas del desastre en las áreas cercanas al departamento occidental de la capital Puerto Príncipe. Mientras esperan la reapertura del centro, los especialistas luchan contra los riesgos de epidemias, intentando educar a la población.</p>
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		<title>#haitibr: jornalismo solidário em rede</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 02:53:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[apresentação]]></category>
		<category><![CDATA[haitibr]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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O terremoto que devastou o Haiti traz à tona a problemática situação do país antes mesmo da catástrofe e coloca em discussão o futuro desse povo já tão castigado. E nesse momento é de extrema importância o monitoramento das ações internacionais no processo de reconstrução e o debate qualificado sobre aquilo que fez, faz e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiti.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-519" title="Haiti Earthquake" src="http://haiti.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiti-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><br />
O terremoto que devastou o Haiti traz à tona a problemática situação do país antes mesmo da catástrofe e coloca em discussão o futuro desse povo já tão castigado. E nesse momento é de extrema importância o monitoramento das ações internacionais no processo de reconstrução e o debate qualificado sobre aquilo que fez, faz e fará parte da história da nação responsável por uma das maiores, senão a maior, <a href="http://www.consciencia.net/2004/mes/01/sader-haiti.html">revolução negra do mundo</a>.</p>
<p>E são justamente esses os objetivos do projeto <a href="http://haiti.org.br/">Haiti.Org</a>: dar visibilidade à história do país que muitas vezes não tem espaço na grande imprensa, oferecer um ambiente de análise crítica sobre o futuro do Haiti, pensar formas de ajudas humanitárias efetivas e, acima de tudo, não deixar que a situação do povo haitiano caia no esquecimento após o “boom midiático” subseqüente ao trágico acontecimento de 12 de janeiro.</p>
<p>“Depois que o interesse da mídia e dos cidadãos brasileiros passar, quando um novo assunto dominar a pauta da opinião pública, o Haiti continuará a viver uma tragédia. O nosso projeto inicial, que está descrito no site, pretende criar um canal permanente de informações e ações sociais e não ser apenas um veículo para a expressão momentânea de uma dor coletiva. Isso também é importante, mas o mais importante é saber que a humanidade precisa assumir a dívida que tem para com esse país e esse povo, cujo sofrimento, até mesmo para nós, no Brasil, é inimaginável”, explica um de seus criadores, o jornalista <a href="http://culturadigital.br/members/rodrigosavazoni/">Rodrigo Savazoni</a>.</p>
<p>No site e no perfil <a href="http://www.twitter.com/haitibr">@haitibr</a> no Twitter, notícias quentes estão sendo divulgadas a todo o tempo sobre o resgate dos corpos, as ajudas internacionais, os mecanismos de doações disponíveis, além de reportagens aprofundadas sobre o caos instaurado por lá e o que isso representa no contexto mundial. O Haiti.Org se propõe ainda a reunir os conteúdos espalhados pela web, tornando-se uma grande e completa referência sobre o assunto na rede.</p>
<p>Nas palavras do idealizador do projeto, o também jornalista <a href="http://aloisiomilani.wordpress.com/">Aloísio Milani</a>: “O objetivo é construir um conteúdo independente”. E qualquer interessado, pode ajudar. “Vamos divulgar e ampliar o site pedindo que as pessoas colaborem com notícias, reportagens, análises, traduções, ideias de cooperação. Tudo isso focado nesse primeiro momento na ajuda humanitária, a necessidade mais premente do povo haitiano”, explica. (Veja <a href="http://haiti.org.br/colabore/">como colaborar com o projeto Haiti.Org</a>)</p>
<p>Savazoni, Milani e <a href="http://www.andredeak.com.br/">André Deak</a>, o terceiro criador do projeto, contam ainda que estão trabalhando na compilação das informações divulgadas sobre doações financeiras à reconstrução do Haiti por parte de governos, instituições e pessoas físicas com o intuito de criar um mapa de monitoramento dessas ações. “Talvez alguns astros de Hollywood não se importem tanto com o uso dos recursos daqui a dois ou três meses, mas, com certeza, ele fará falta para uma pessoa que perdeu sua família e não teve ajuda por um eventual mau uso do dinheiro”, diz Milani.</p>
<p><strong>O projeto Haiti.Org</strong></p>
<p>A ideia dos jornalistas de cobrir a situação no Haiti é anterior ao terremoto e estava inicialmente ligada ao acompanhamento dos trabalhos da missão de paz da ONU, liderada pelo Brasil, naquele país. Eram cerca de <a href="http://haiti.org.br/2008/03/haiti-laboratorio-para-a-estrategia-militar/">10 mil soldados em território haitiano</a>, o que representa a maior missão internacional do Exército Brasileiro e pouco se falava no assunto. “O principal, para nós, sempre foi entender que uma missão de paz não se faz só com soldados, mas principalmente com solidariedade e cooperação”, diz Rodrigo.</p>
<p>O contato dele e dos demais com a realidade do Haiti vem desde 2004, quando trabalhavam os três juntos na <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/">Agência Brasil</a> e fizeram uma ampla cobertura sobre o tema. “Viajei quatro vezes para Porto Príncipe. A primeira no jogo entre a seleção do Brasil e do Haiti. Dias antes da partida, época em que a favela de Cite Soleil, a maior do Caribe, sequer era ocupada pelas tropas da ONU, entrei lá com um guia e um intérprete para descrever a vida de uma família pobre. Sem escolta. E de propósito. Para ouvir o que eles tinham a dizer sem um fuzil do lado. Na última vez voltei mais uma vez para Cite Soleil, agora com a favela já ocupada, mas novamente sem a escolta dos brasileiros ONU”, conta Milani.</p>
<p>Como resultado foi produzido um dos primeiros especiais multimídia feitos no país, a reportagem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=T4xEjgWAyiA&amp;feature=player_embedded">“Bon Bagay Haiti”</a>, um audioslideshow só com depoimentos de moradores da favela. “Foi a primeira vez que uma equipe entrou no lugar mais pobre da mais pobre das favelas de Porto Príncipe para conversar com os moradores. As imagens falam por si. Desde a tragédia, tenho pensado, sem demagogia, na Dona Enel, mas principalmente naquele molequinho que nos olha no fim do filme, com um olhar esperançoso. Talvez ele esteja agora em uma vala comum”, fala Savazoni citando pessoas presentes no trabalho.</p>
<p>Essa proximidade dos jornalistas com a realidade e povo haitiano há anos garante a qualidade da cobertura feita pelo Haiti.Org. “Ao longo do acompanhamento da situação do Haiti, acabamos formando uma boa lista de fontes entre ativistas, cidadãos, políticos, diplomatas e militares. Agora, com o terremoto, muitos de nossos contatos civis estão sem comunicação, alguns deles, infelizmente, na lista de desaparecidos. Ainda não sabemos se estão bem”, conta Milani, que desde o dia 12 tem freqüentado a <a href="http://www.casadaculturadigital.com.br/">Casa da Cultura Digital</a>, berço do projeto, para levar informações e propor novas ações para o Haiti.Org.</p>
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