Pesquisadores deixam Haiti com polêmica diplomática

Por Aloisio Milani, do Haiti.Org
Um grupo de pesquisadores de antropologia da Unicamp estava na capital Porto Príncipe durante o terremoto. Mas não sem passar pela experiência de verem de perto a dificuldade do socorro às vítimas, a solidariedade dos haitianos que dividiam o pouco que tinham, e também uma postura, no mínimo, condenável da chancelaria brasileira no país. Roseana Aben-Athar Kipman, esposa do embaixador Igor Kipman, fez uma visita ao grupo e os recomendou que voltassem ao Brasil por conta própria, pois o Itamaraty não tinha responsabilidade sobre eles. Só para registro, ela foi a pessoa que fez as tratativas para o reconhecimento do corpo de Zilda Arns. Veja o post do blog Lacitadelle, que o grupo mantém atualizado desde o dia do terremoto.
As frases da embaixatriz foram publicadas no blog e geraram reportagens em veículos brasileiros. Também circularam por listas de discussões por e-mail. Numa dessas repercussões, a do jornal O Estado de S.Paulo, o assessor do Itamaraty disse que se tratava de “fofocas de blog”. O grupo, então, assinou uma carta questionando esse nova atitude do Itamaraty. “Não se trata de fofoca de blog, como disse o assessor Joao Leme, mas do relato de um grupo de nove pessoas que tinha recebido a orientação de se dirigir a embaixada e que foi surpreendido por uma reação indigna de alguém que ocupa uma posição tão importante num momento como este”, escreveram.
Os comentários de leitores que aparecem, sem mediação, no blog do grupo se dividem entre apoio e crítica. Ao mesmo tempo, escrevendo do Brasil, o antropólogo José Renato Baptista publicou uma carta de apoio ao grupo, dizendo-se “envergonhado” pela postura da embaixada brasileira. “A descrição feita na postagem anterior corrobora perfeitamente com aquilo que presenciei ao longo do tempo que permaneci junto à Embaixada do Brasil no Haiti. E o tal assessor Paes Leme, pelo visto, está apenas cumprindo seu papel de tapar um buraco e encobrir uma ação para mais de vergonhosa de pessoas a quem eu mesmo recomendei que os colegas procurassem”, diz.
Os pesquisadores já estão na República Dominicana, rota da volta para o Brasil.

