A ‘interminável’ lista de mortos e desaparecidos
Por Aloisio Milani, do Haiti.Org

O número de mortos no terremoto no Haiti deve ultrapassar os 50 mil. Mas não há dúvidas de que uma contagem não será possível no curto prazo. Sem a identificação de corpos, o que se verá nos próximos dias é a constatação de uma geração “desaparecida” no terremoto. Talvez nunca se descubra o paradeiro de pessoas que moravam na capital Porto Príncipe.
Em pouco tempo, será possível mensurar que essa tragédia não só destruiu prédios e matou muita gente, mas, sobretudo, ativistas e trabalhadores que concentravam anos de experiência com o Haiti. O governo, as organizações sociais e instituições internacionais terão de reeorganizar suas equipes para buscar o conhecimento humano perdido na tragédia.
A amostra dessa geração de desaparecidos já pode ser conferida numa lista oficial gerida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). A lista é organizada como uma espécie de rede social pela internet. No Haiti, a Cruz Vermelha não foi ainda capaz de coletar e publicar no site da identidade e paradeiro das pessoas afetadas pelo terremoto. Mas esse é o objetivo para ajudar famílias a localizar seus parentes.
A esmagadora parte dos cadastrados são haitianos, com seus respectivos endereços e contatos de parentes no mundo todo. Milhares de pessoas fazem como o haitiano Charles Serge, nascido em Porto Príncipe, e que procura seu irmão Charles Tcheno, do qual não tem notícias. A rede funcionou muito bem na época do Furacão Katrina, para ajudar a reencontrar desaparecidos e desabrigados.
O Google também montou uma página para tentar ajudar a encontrar vítimas. A página está incluída na próxima home do Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos. A lista, porém, não é acessível. Somente se pode inserir dados para procurar alguém ou caso tenha informações de vítimas.
Aqui abaixo, o projeto Haiti.Org também organiza um pequeno resumo da história de militares, diplomatas, ativistas e personalidades que perderam a vida no terremoto.
Zilda Arns: médica brasileira, coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu durante uma palestra a religiosos do Haiti, na capital Porto Príncipe.
Luis Carlos da Costa: diplomata brasileiro no mais alto cargo da Organização das Nações Unidas. Estava no Hotel Christopher, onde funcionava a sede da missão.
Hedi Annabi: diplomata tunisiano era chefe da missão da ONU, representando diretamente o secretário-geral no Haiti. Também morreu no escritório onde trabalhava.
Jean-Max Bellerive: primeiro ministro haitiano foi confirmado entre os mortos no terremoto – sistema é parlamentarista, então era cargo importantíssimo.
Georges Anglade: acadêmico haitiano-canadense, 65 anos, um dos fundadores da Universidade de Quebec em Montreal. Foi ex-ministro da gestão passada de René Préval.
Mireille Anglade: esposa de Georges, também 65 anos, foi defensora dos direitos das mulheres no Haiti, foi professora de francês e diplomata das Nações Unidas.
Joseph Serge Miot: arcebispo da capital Porto Príncipe desde 2008, foi encontrado sob os escombros do gabinete da arquidiocese.
Mirna Narcisse Théodore: executiva do Ministério da Condição Feminina e dos Direitos da Mulher, uma das pessoas próximas ao atual presidente René Préval.
Emílio Carlos Torres dos Santos: militar brasileiro, integrante do Gabinete do Comandante do Exército, em Brasília (DF).
Raniel Batista de Camargos: subtenente brasileiro, 42 anos, conversava com a família no momento do terremoto. Era do 37º Batalhão de Infantaria Leve, em Lins (SP).
Kléber da Silva Santos: soldado brasileiro na ONU, voltaria para se casar no Brasil no fim deste mês, era do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).
Arí Dirceu Fernandes Júnior: cabo brasileiro na ONU, deixa uma filha de 3 anos. Servia no 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).
Rodrigo Augusto da Silva: soldado brasileiro na ONU, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Felipe Gonçalves Júlio: soldado brasileiro na ONU, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Antonio José Anacleto: soldado brasileiro na ONU, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Tiago Anaya Detimermani: soldado brasileiro na ONU, deveria retornar, junto com outros militares, até 25 de janeiro. Integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve.
Washington Luis de Souza Seraphin: cabo brasileiro na ONU, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Douglas Pedrotti Neckel: cabo brasileiro na missão da ONU, tinha 23 anos e era gaúcho. Integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Rodrigo de Souza Lima: terceiro sargento brasileiro, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Leonardo de Castro Carvalho: segundo sargento brasileiro, integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Davi Ramos de Lima: segundo sargento brasileiro, tinha 37 anos, morador de Lorena, casado e pai de três filhos. Servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP).
Bruno Ribeiro Mário: militar brasileiro na ONU, tinha 26 anos, nasceu em São Gabriel (RS) e era integrante do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
Francisco Adolfo Vianna Martins Filho: major brasileiro, era observador militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).
Marcus Vinicius Macêdo Cysneiros: tenente-coronel brasileiro, era observador militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).
Márcio Guimarães Martins: oficial de Estado-Maior do Batalhão de Infantaria de Força de Paz no 12º contingente brasileiro da missão da ONU.
João Eliseu Souza Zanin: militar brasileiro ligado ao gabinete do Comandante do Exército e encontrava-se no Haiti para reuniões de coordenação de pessoal.
Carlos Joubert: produtor musicial haitiano, considerado um grande agitador cultural da capital Porto Príncipe e com muitas ligações no exterior.
Doug Coates: policial superintendente do Canadá, habitante de Quebec, e que trabalhava como comissário de política para as Nações Unidas no Haiti. Seu corpo foi encontrado sob os escombros.
Mark Gallagher: sargento canadense, oficial de relações públicas da Royal Canadian Mounted Police (RCMP), morto no treinamento aos novos policiais haitianos.
William Siemienski: funcionário canadense da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (ACDI). Teve a morte confirmada pelo governo.
Helene Rivard: funcionária canadense da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (ACDI). Teve a morte confirmada pelo governo.
Philippe Rouzier: professor canadense da Universidade Laval, estava trabalhando para as Nações Unidas como economista depois de voltar a morar para o Haiti no final da década de 80.
Victoria J. DeLong: diplomata norte-americana, 57 anos, adida cultural da Embaixada dos Estados Unidos no Haiti, encontrada morta em sua casa.
[Em atualização...]

